Insights|14 abr, 2026|

SXSW Insights 2026: menos futuro e mais retrato (incômodo) do presente

Fernanda Bottoni - UOL para Marcas

Diferentemente das outras edições, o South by Southwest 2026, realizado entre os dias 12 e 18 de março, em Austin, no Texas, trouxe menos sinais sobre o futuro e mais um “retrato incômodo do presente”. Vivemos um ambiente de fricção estrutural, que atravessa mercados, organizações e a própria vida social, resultado dos ritmos distintos e cada vez mais inconciliáveis em que avançam tecnologia, economia, política e relações humanas.

É assim que o projeto SXSW Insights 2026, desenvolvido a partir da curadoria dos jornalistas e pesquisadores da GoAd, define a última edição do SXSW que recebeu mais de 2,6 mil brasileiros entre os mais de 200 mil participantes.

O material foi produzido a partir de uma metodologia proprietária que combina investigações e reflexões humanas com ferramentas de análise de conteúdo e social listening para mapear os principais sinais emergentes do encontro global de inovação, tecnologia e cultura.

De volta para o presente

As tensões do presente estiveram em pauta em diversos palcos de 2026. O autor e realizador Scott Galloway chamou atenção para o descompasso entre inovação tecnológica e estabilidade social.

Jack Conte, fundador do Patreon, destacou que a economia criativa atravessa uma transição em que plataformas, criadores e comunidades ainda buscam novos modelos de valor e sustentabilidade. Já a pesquisadora Kasley Killam argumentou que o aumento do isolamento social indica uma lacuna entre avanço tecnológico e bem-estar coletivo.

Inovação para quem?

Andrew Ross Sorkin, editor do The New York Times e autor de 1929: Inside the Greatest Crash in Wall Street History, tratou de euforia e apreensão simultâneas diante das novas tecnologias. O volume de investimento, de expectativa e de promessa em torno da inteligência artificial é imenso, mas ainda sabemos pouco sobre sua capacidade de gerar valor social, econômico e institucional. Por trás da sua fala, deixou a pergunta: inovação para quem?

A era da convergência

Uma das sessões sempre mais aguardadas é a de Amy Webb. Neste ano, a professora e futurista surpreendeu ao declarar o fim de seu próprio relatório tradicional de tendências, que já não acompanha a velocidade das convergências tecnológicas.

No lugar de tendências isoladas, ela propôs uma visão de convergências entre sistemas, alertando que iniciamos uma era de convergência entre inteligência artificial, biotecnologia e sensores inteligentes, com a criação de sistemas cada vez mais autônomos.

Da centralidade para a invisibilidade humana

É justamente dessa convergência entre sistemas que emerge outro risco central discutido no festival. Teoricamente, tecnologias existem para ampliar capacidades humanas. Mas o debate em Austin alertou que o crescimento de sistemas, plataformas e modelos de negócio foi tão grande que o humano pode simplesmente desaparecer do centro da equação.

O festival também discutiu amplamente a inteligência artificial – não mais como tendência. Teve destaque a passagem de ferramentas generativas, que dependem de comandos humanos para produzir respostas, para a IA agêntica, em que agentes acessam ferramentas, executam tarefas e tomam decisões dentro de parâmetros definidos.

Segundo o futurista Ian Beacraft, vivemos o início da chamada “era agêntica”, em que sistemas inteligentes deixam de ser apenas ferramentas e passam a atuar como participantes ativos em processos de decisão.

Para Timnit Gebru, pesquisadora de ética em inteligência artificial e fundadora do DAIR Institute, o desafio não é parar a IA, mas garantir que sua governança seja plural. Sua fala deslocou o debate do fascínio tecnológico para a disputa por poder.

Humanos correm o risco da invisibilidade, não apenas porque as tarefas serão automatizadas, mas principalmente porque decisões que afetam milhões de pessoas podem ser organizadas por poucos atores, com pouca transparência e diversidade de perspectivas.

Reorganização do trabalho

IA está redesenhando a arquitetura do trabalho, da produtividade, da liderança e até dos modelos educacionais. Em vez de executar tarefas diretamente, profissionais passam a estruturar fluxos de trabalho que serão realizados por sistemas autônomos. Essa habilidade já tem o nome de orquestração e é definida por Neil Redding, estrategista de futuros e fundador da consultoria Redding Futures, como a capacidade de distribuir tarefas entre pessoas e máquinas, especificando quando a automação gera valor e quando o julgamento humano continua indispensável.

Superempresas, segundo Greg Shove, CEO da Section.ai, são aquelas capazes de operar equipes híbridas de pessoas e sistemas inteligentes. Nessas organizações, praticamente todos os colaboradores passam a gerenciar algum tipo de agente. A distinção relevante deixa de ser entre quem usa e quem não usa tecnologia e passa a ser entre quem orquestra sistemas inteligentes e quem apenas reage a eles.

Também ganharam espaço discussões sobre dados, cibersegurança, inclusão, reforçando que o principal desafio do presente é definir quem projeta, governa e se beneficia das novas arquiteturas tecnológicas. Acesse o link para baixar o SXSW Insights 2026 completo.

O UOL conecta cada pessoa ao seu universo e cada marca ao seu target

Insights|14 abr, 2026|

SXSW Insights 2026: menos futuro e mais retrato (incômodo) do presente

Fernanda Bottoni - UOL para Marcas

Diferentemente das outras edições, o South by Southwest 2026, realizado entre os dias 12 e 18 de março, em Austin, no Texas, trouxe menos sinais sobre o futuro e mais um “retrato incômodo do presente”. Vivemos um ambiente de fricção estrutural, que atravessa mercados, organizações e a própria vida social, resultado dos ritmos distintos e cada vez mais inconciliáveis em que avançam tecnologia, economia, política e relações humanas.

É assim que o projeto SXSW Insights 2026, desenvolvido a partir da curadoria dos jornalistas e pesquisadores da GoAd, define a última edição do SXSW que recebeu mais de 2,6 mil brasileiros entre os mais de 200 mil participantes.

O material foi produzido a partir de uma metodologia proprietária que combina investigações e reflexões humanas com ferramentas de análise de conteúdo e social listening para mapear os principais sinais emergentes do encontro global de inovação, tecnologia e cultura.

De volta para o presente

As tensões do presente estiveram em pauta em diversos palcos de 2026. O autor e realizador Scott Galloway chamou atenção para o descompasso entre inovação tecnológica e estabilidade social.

Jack Conte, fundador do Patreon, destacou que a economia criativa atravessa uma transição em que plataformas, criadores e comunidades ainda buscam novos modelos de valor e sustentabilidade. Já a pesquisadora Kasley Killam argumentou que o aumento do isolamento social indica uma lacuna entre avanço tecnológico e bem-estar coletivo.

Inovação para quem?

Andrew Ross Sorkin, editor do The New York Times e autor de 1929: Inside the Greatest Crash in Wall Street History, tratou de euforia e apreensão simultâneas diante das novas tecnologias. O volume de investimento, de expectativa e de promessa em torno da inteligência artificial é imenso, mas ainda sabemos pouco sobre sua capacidade de gerar valor social, econômico e institucional. Por trás da sua fala, deixou a pergunta: inovação para quem?

A era da convergência

Uma das sessões sempre mais aguardadas é a de Amy Webb. Neste ano, a professora e futurista surpreendeu ao declarar o fim de seu próprio relatório tradicional de tendências, que já não acompanha a velocidade das convergências tecnológicas.

No lugar de tendências isoladas, ela propôs uma visão de convergências entre sistemas, alertando que iniciamos uma era de convergência entre inteligência artificial, biotecnologia e sensores inteligentes, com a criação de sistemas cada vez mais autônomos.

Da centralidade para a invisibilidade humana

É justamente dessa convergência entre sistemas que emerge outro risco central discutido no festival. Teoricamente, tecnologias existem para ampliar capacidades humanas. Mas o debate em Austin alertou que o crescimento de sistemas, plataformas e modelos de negócio foi tão grande que o humano pode simplesmente desaparecer do centro da equação.

O festival também discutiu amplamente a inteligência artificial – não mais como tendência. Teve destaque a passagem de ferramentas generativas, que dependem de comandos humanos para produzir respostas, para a IA agêntica, em que agentes acessam ferramentas, executam tarefas e tomam decisões dentro de parâmetros definidos.

Segundo o futurista Ian Beacraft, vivemos o início da chamada “era agêntica”, em que sistemas inteligentes deixam de ser apenas ferramentas e passam a atuar como participantes ativos em processos de decisão.

Para Timnit Gebru, pesquisadora de ética em inteligência artificial e fundadora do DAIR Institute, o desafio não é parar a IA, mas garantir que sua governança seja plural. Sua fala deslocou o debate do fascínio tecnológico para a disputa por poder.

Humanos correm o risco da invisibilidade, não apenas porque as tarefas serão automatizadas, mas principalmente porque decisões que afetam milhões de pessoas podem ser organizadas por poucos atores, com pouca transparência e diversidade de perspectivas.

Reorganização do trabalho

IA está redesenhando a arquitetura do trabalho, da produtividade, da liderança e até dos modelos educacionais. Em vez de executar tarefas diretamente, profissionais passam a estruturar fluxos de trabalho que serão realizados por sistemas autônomos. Essa habilidade já tem o nome de orquestração e é definida por Neil Redding, estrategista de futuros e fundador da consultoria Redding Futures, como a capacidade de distribuir tarefas entre pessoas e máquinas, especificando quando a automação gera valor e quando o julgamento humano continua indispensável.

Superempresas, segundo Greg Shove, CEO da Section.ai, são aquelas capazes de operar equipes híbridas de pessoas e sistemas inteligentes. Nessas organizações, praticamente todos os colaboradores passam a gerenciar algum tipo de agente. A distinção relevante deixa de ser entre quem usa e quem não usa tecnologia e passa a ser entre quem orquestra sistemas inteligentes e quem apenas reage a eles.

Também ganharam espaço discussões sobre dados, cibersegurança, inclusão, reforçando que o principal desafio do presente é definir quem projeta, governa e se beneficia das novas arquiteturas tecnológicas. Acesse o link para baixar o SXSW Insights 2026 completo.

O UOL conecta cada pessoa ao seu universo e cada marca ao seu target

Insights|14 abr, 2026|

SXSW Insights 2026: menos futuro e mais retrato (incômodo) do presente

Fernanda Bottoni - UOL para Marcas

Diferentemente das outras edições, o South by Southwest 2026, realizado entre os dias 12 e 18 de março, em Austin, no Texas, trouxe menos sinais sobre o futuro e mais um “retrato incômodo do presente”. Vivemos um ambiente de fricção estrutural, que atravessa mercados, organizações e a própria vida social, resultado dos ritmos distintos e cada vez mais inconciliáveis em que avançam tecnologia, economia, política e relações humanas.

É assim que o projeto SXSW Insights 2026, desenvolvido a partir da curadoria dos jornalistas e pesquisadores da GoAd, define a última edição do SXSW que recebeu mais de 2,6 mil brasileiros entre os mais de 200 mil participantes.

O material foi produzido a partir de uma metodologia proprietária que combina investigações e reflexões humanas com ferramentas de análise de conteúdo e social listening para mapear os principais sinais emergentes do encontro global de inovação, tecnologia e cultura.

De volta para o presente

As tensões do presente estiveram em pauta em diversos palcos de 2026. O autor e realizador Scott Galloway chamou atenção para o descompasso entre inovação tecnológica e estabilidade social.

Jack Conte, fundador do Patreon, destacou que a economia criativa atravessa uma transição em que plataformas, criadores e comunidades ainda buscam novos modelos de valor e sustentabilidade. Já a pesquisadora Kasley Killam argumentou que o aumento do isolamento social indica uma lacuna entre avanço tecnológico e bem-estar coletivo.

Inovação para quem?

Andrew Ross Sorkin, editor do The New York Times e autor de 1929: Inside the Greatest Crash in Wall Street History, tratou de euforia e apreensão simultâneas diante das novas tecnologias. O volume de investimento, de expectativa e de promessa em torno da inteligência artificial é imenso, mas ainda sabemos pouco sobre sua capacidade de gerar valor social, econômico e institucional. Por trás da sua fala, deixou a pergunta: inovação para quem?

A era da convergência

Uma das sessões sempre mais aguardadas é a de Amy Webb. Neste ano, a professora e futurista surpreendeu ao declarar o fim de seu próprio relatório tradicional de tendências, que já não acompanha a velocidade das convergências tecnológicas.

No lugar de tendências isoladas, ela propôs uma visão de convergências entre sistemas, alertando que iniciamos uma era de convergência entre inteligência artificial, biotecnologia e sensores inteligentes, com a criação de sistemas cada vez mais autônomos.

Da centralidade para a invisibilidade humana

É justamente dessa convergência entre sistemas que emerge outro risco central discutido no festival. Teoricamente, tecnologias existem para ampliar capacidades humanas. Mas o debate em Austin alertou que o crescimento de sistemas, plataformas e modelos de negócio foi tão grande que o humano pode simplesmente desaparecer do centro da equação.

O festival também discutiu amplamente a inteligência artificial – não mais como tendência. Teve destaque a passagem de ferramentas generativas, que dependem de comandos humanos para produzir respostas, para a IA agêntica, em que agentes acessam ferramentas, executam tarefas e tomam decisões dentro de parâmetros definidos.

Segundo o futurista Ian Beacraft, vivemos o início da chamada “era agêntica”, em que sistemas inteligentes deixam de ser apenas ferramentas e passam a atuar como participantes ativos em processos de decisão.

Para Timnit Gebru, pesquisadora de ética em inteligência artificial e fundadora do DAIR Institute, o desafio não é parar a IA, mas garantir que sua governança seja plural. Sua fala deslocou o debate do fascínio tecnológico para a disputa por poder.

Humanos correm o risco da invisibilidade, não apenas porque as tarefas serão automatizadas, mas principalmente porque decisões que afetam milhões de pessoas podem ser organizadas por poucos atores, com pouca transparência e diversidade de perspectivas.

Reorganização do trabalho

IA está redesenhando a arquitetura do trabalho, da produtividade, da liderança e até dos modelos educacionais. Em vez de executar tarefas diretamente, profissionais passam a estruturar fluxos de trabalho que serão realizados por sistemas autônomos. Essa habilidade já tem o nome de orquestração e é definida por Neil Redding, estrategista de futuros e fundador da consultoria Redding Futures, como a capacidade de distribuir tarefas entre pessoas e máquinas, especificando quando a automação gera valor e quando o julgamento humano continua indispensável.

Superempresas, segundo Greg Shove, CEO da Section.ai, são aquelas capazes de operar equipes híbridas de pessoas e sistemas inteligentes. Nessas organizações, praticamente todos os colaboradores passam a gerenciar algum tipo de agente. A distinção relevante deixa de ser entre quem usa e quem não usa tecnologia e passa a ser entre quem orquestra sistemas inteligentes e quem apenas reage a eles.

Também ganharam espaço discussões sobre dados, cibersegurança, inclusão, reforçando que o principal desafio do presente é definir quem projeta, governa e se beneficia das novas arquiteturas tecnológicas. Acesse o link para baixar o SXSW Insights 2026 completo.

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