Brasileiros compartilham fake news mesmo sem acreditar nelas
Freepik

Fernanda Bottoni - UOL para Marcas
Os brasileiros em geral não confiam em fake news, mas isso não impede que comentem esse tipo de conteúdo com amigos e familiares. A conclusão – especialmente relevante neste ano de eleições – é de um estudo realizado com 914 participantes, coordenado por Eduardo Mesquita, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Administração e do LifeLab da ESPM.
A pesquisa foi realizada por meio de três experimentos. Em um deles, 342 brasileiros foram expostos a uma fake news. Apenas 28,7% consideraram o conteúdo confiável. Mesmo assim, 52,6% (ou seja, quase o dobro dos que confiaram na notícia) indicaram intenção de comentá-la com alguém próximo. É o que os pesquisadores definem como o paradoxo da desinformação – espalhar sem acreditar. E todos os experimentos confirmaram um padrão semelhante.
Confiança em quem envia pesa mais que conteúdo
O experimento também relacionou a origem da mensagem com a percepção de credibilidade dos participantes do estudo. Para isso, metade dos participantes recebeu a notícia de uma fonte percebida como confiável e a outra metade recebeu de uma fonte sem credibilidade.
O resultado foi que, quando a fonte era confiável, 59,9% declararam intenção de compartilhar o conteúdo. Quando não era, 45,7% tinham a mesma intenção. De acordo com os pesquisadores, a diferença de 14 pontos percentuais mostra que a identidade de quem envia a mensagem modula o comportamento de forma mais intensa do que a avaliação do conteúdo em si.
Por que as pessoas compartilham fake news
Para Eduardo Mesquita, o problema não está na má-fé. “Está no atalho mental que o cérebro usa quando confia em quem enviou a mensagem”, explica.
A pesquisa identificou três fatores centrais que explicam esse fenômeno. O primeiro é a transferência de credibilidade. A confiança em quem envia a mensagem desativa o senso crítico sobre o conteúdo.
O segundo fator é chamado atalho cognitivo. Em um ambiente de excesso de informação, como o que vivemos, o cérebro tende a aceitar como plausível aquilo que vem de uma fonte familiar.
E o terceiro ponto é a boa intenção como amplificador. Isso significa que mensagens percebidas como úteis ou importantes para a rede do receptor, ou seja, seus amigos e familiares, por exemplo, são compartilhadas com mais frequência, justamente porque a pessoa que compartilha acredita que está fazendo algo positivo para quem vai receber a notícia.
Risco invisível para marcas e figuras de autoridade
Com base nos resultados, os pesquisadores alertam que narrativas falsas que circulam em grupos fechados, como WhatsApp, podem ganhar escala antes mesmo que marcas e organizações percebam o problema e consigam reagir.
Os pesquisadores também alertam para o papel das figuras de autoridade percebida, como influenciadores, médicos e professores. Por terem alta credibilidade das suas audiências, esses grupos podem amplificar desinformação de forma involuntária.
“A autoridade percebida é um ativo precioso, mas também uma vulnerabilidade”, afirma Mesquita. “Quem tem audiência tem responsabilidade redobrada de verificar antes de compartilhar”, destaca.
Os pesquisadores também desenvolveram uma cartilha de conscientização voltada ao público geral. O material oferece orientações práticas sobre como identificar e interromper a propagação involuntária de desinformação e pode ser acessado aqui.
Brasileiros compartilham fake news mesmo sem acreditar nelas
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Fernanda Bottoni - UOL para Marcas
Os brasileiros em geral não confiam em fake news, mas isso não impede que comentem esse tipo de conteúdo com amigos e familiares. A conclusão – especialmente relevante neste ano de eleições – é de um estudo realizado com 914 participantes, coordenado por Eduardo Mesquita, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Administração e do LifeLab da ESPM.
A pesquisa foi realizada por meio de três experimentos. Em um deles, 342 brasileiros foram expostos a uma fake news. Apenas 28,7% consideraram o conteúdo confiável. Mesmo assim, 52,6% (ou seja, quase o dobro dos que confiaram na notícia) indicaram intenção de comentá-la com alguém próximo. É o que os pesquisadores definem como o paradoxo da desinformação – espalhar sem acreditar. E todos os experimentos confirmaram um padrão semelhante.
Confiança em quem envia pesa mais que conteúdo
O experimento também relacionou a origem da mensagem com a percepção de credibilidade dos participantes do estudo. Para isso, metade dos participantes recebeu a notícia de uma fonte percebida como confiável e a outra metade recebeu de uma fonte sem credibilidade.
O resultado foi que, quando a fonte era confiável, 59,9% declararam intenção de compartilhar o conteúdo. Quando não era, 45,7% tinham a mesma intenção. De acordo com os pesquisadores, a diferença de 14 pontos percentuais mostra que a identidade de quem envia a mensagem modula o comportamento de forma mais intensa do que a avaliação do conteúdo em si.
Por que as pessoas compartilham fake news
Para Eduardo Mesquita, o problema não está na má-fé. “Está no atalho mental que o cérebro usa quando confia em quem enviou a mensagem”, explica.
A pesquisa identificou três fatores centrais que explicam esse fenômeno. O primeiro é a transferência de credibilidade. A confiança em quem envia a mensagem desativa o senso crítico sobre o conteúdo.
O segundo fator é chamado atalho cognitivo. Em um ambiente de excesso de informação, como o que vivemos, o cérebro tende a aceitar como plausível aquilo que vem de uma fonte familiar.
E o terceiro ponto é a boa intenção como amplificador. Isso significa que mensagens percebidas como úteis ou importantes para a rede do receptor, ou seja, seus amigos e familiares, por exemplo, são compartilhadas com mais frequência, justamente porque a pessoa que compartilha acredita que está fazendo algo positivo para quem vai receber a notícia.
Risco invisível para marcas e figuras de autoridade
Com base nos resultados, os pesquisadores alertam que narrativas falsas que circulam em grupos fechados, como WhatsApp, podem ganhar escala antes mesmo que marcas e organizações percebam o problema e consigam reagir.
Os pesquisadores também alertam para o papel das figuras de autoridade percebida, como influenciadores, médicos e professores. Por terem alta credibilidade das suas audiências, esses grupos podem amplificar desinformação de forma involuntária.
“A autoridade percebida é um ativo precioso, mas também uma vulnerabilidade”, afirma Mesquita. “Quem tem audiência tem responsabilidade redobrada de verificar antes de compartilhar”, destaca.
Os pesquisadores também desenvolveram uma cartilha de conscientização voltada ao público geral. O material oferece orientações práticas sobre como identificar e interromper a propagação involuntária de desinformação e pode ser acessado aqui.
Brasileiros compartilham fake news mesmo sem acreditar nelas
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Fernanda Bottoni - UOL para Marcas
Os brasileiros em geral não confiam em fake news, mas isso não impede que comentem esse tipo de conteúdo com amigos e familiares. A conclusão – especialmente relevante neste ano de eleições – é de um estudo realizado com 914 participantes, coordenado por Eduardo Mesquita, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Administração e do LifeLab da ESPM.
A pesquisa foi realizada por meio de três experimentos. Em um deles, 342 brasileiros foram expostos a uma fake news. Apenas 28,7% consideraram o conteúdo confiável. Mesmo assim, 52,6% (ou seja, quase o dobro dos que confiaram na notícia) indicaram intenção de comentá-la com alguém próximo. É o que os pesquisadores definem como o paradoxo da desinformação – espalhar sem acreditar. E todos os experimentos confirmaram um padrão semelhante.
Confiança em quem envia pesa mais que conteúdo
O experimento também relacionou a origem da mensagem com a percepção de credibilidade dos participantes do estudo. Para isso, metade dos participantes recebeu a notícia de uma fonte percebida como confiável e a outra metade recebeu de uma fonte sem credibilidade.
O resultado foi que, quando a fonte era confiável, 59,9% declararam intenção de compartilhar o conteúdo. Quando não era, 45,7% tinham a mesma intenção. De acordo com os pesquisadores, a diferença de 14 pontos percentuais mostra que a identidade de quem envia a mensagem modula o comportamento de forma mais intensa do que a avaliação do conteúdo em si.
Por que as pessoas compartilham fake news
Para Eduardo Mesquita, o problema não está na má-fé. “Está no atalho mental que o cérebro usa quando confia em quem enviou a mensagem”, explica.
A pesquisa identificou três fatores centrais que explicam esse fenômeno. O primeiro é a transferência de credibilidade. A confiança em quem envia a mensagem desativa o senso crítico sobre o conteúdo.
O segundo fator é chamado atalho cognitivo. Em um ambiente de excesso de informação, como o que vivemos, o cérebro tende a aceitar como plausível aquilo que vem de uma fonte familiar.
E o terceiro ponto é a boa intenção como amplificador. Isso significa que mensagens percebidas como úteis ou importantes para a rede do receptor, ou seja, seus amigos e familiares, por exemplo, são compartilhadas com mais frequência, justamente porque a pessoa que compartilha acredita que está fazendo algo positivo para quem vai receber a notícia.
Risco invisível para marcas e figuras de autoridade
Com base nos resultados, os pesquisadores alertam que narrativas falsas que circulam em grupos fechados, como WhatsApp, podem ganhar escala antes mesmo que marcas e organizações percebam o problema e consigam reagir.
Os pesquisadores também alertam para o papel das figuras de autoridade percebida, como influenciadores, médicos e professores. Por terem alta credibilidade das suas audiências, esses grupos podem amplificar desinformação de forma involuntária.
“A autoridade percebida é um ativo precioso, mas também uma vulnerabilidade”, afirma Mesquita. “Quem tem audiência tem responsabilidade redobrada de verificar antes de compartilhar”, destaca.
Os pesquisadores também desenvolveram uma cartilha de conscientização voltada ao público geral. O material oferece orientações práticas sobre como identificar e interromper a propagação involuntária de desinformação e pode ser acessado aqui.
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