Paulo Samia, do UOL: ‘Publishers profissionais terão papel fundamental nas plataformas de conteúdo do futuro’
Divulgação/UOL

Débora Yuri - UOL para Marcas
Há três décadas, o portal de conteúdo e serviços digitais pioneiro do Brasil. Em 2026, um dos maiores publishers da América Latina. E no próximo ciclo de vida?
Paulo Samia, CEO do UOL, conversou com o UOL para Marcas na véspera do aniversário de 30 anos do veículo. Fez uma retrospectiva de lançamentos que se tornaram marcos da cultura popular, falou sobre o papel do UOL na rotina dos brasileiros, discutiu inovação e projetou como será a plataforma de conteúdo do futuro. Confira trechos da entrevista.
*
O UOL está completando 30 anos. Se você fosse criar uma retrospectiva dessa história, quais seriam os principais momentos?
São muitas oportunidades para mostrar coisas que a gente fez no Brasil, no cenário de comunicação, na migração para o digital, no letramento da população para começar a ingressar nesse mundo digital. O lançamento do UOL foi um grande marco para a internet brasileira. O UOL foi pioneiro — o primeiro portal de produção de conteúdo e serviços naquela época inicial de acesso à internet.
No começo, a gente teve um papel forte também de conectar as pessoas. O Brasil não tinha um acesso à internet tão distribuído como hoje, então entramos nessa área. Lançamos uma empresa de telecomunicações, a AcessoNet.
Acho que todo mundo que começou a acessar a internet naquela época teve um contato forte com o UOL. Muitos tiveram o primeiro e-mail do UOL e mantêm até hoje. E, até hoje, muita gente fala que se conheceu pelo Bate-Papo UOL. Lançamos uma série de produtos que foram marcos da cultura popular no país.
Como o Placar UOL?
Como o Placar UOL. Ao mesmo tempo que a gente lançou o UOL, começamos a mudar a linguagem e o formato do conteúdo levado às pessoas. E sempre pensamos nos diversos momentos de consumo. O Placar UOL foi um exemplo. Até hoje, muita gente acompanha a rodada, os gols, por ele. São produtos que marcaram e ainda marcam a vida de muitas pessoas.
Ao longo do tempo, lançamos também produtos que criaram vida própria, como o PagBank — que foi lançado dentro do UOL e hoje é uma das maiores empresas financeiras do Brasil. Ou o UOL Host, que dá acesso a centenas de milhares de pequenos empreendedores ao universo digital. O UOL é um celeiro de inovação, de novidades.
Outro ponto é que estivemos presentes em momentos importantes. Por exemplo: o UOL foi o único site brasileiro que não caiu no 11 de Setembro.
De 1996 até agora, qual tem sido o papel do UOL na rotina dos brasileiros?
Nosso papel sempre foi informar e prover serviços e produtos de qualidade. E os brasileiros, cada vez mais, passaram a se informar e consumir conteúdo por meio de canais digitais. Hoje, você escuta muitas pessoas falando: “A primeira coisa que eu faço de manhã é abrir o site do UOL pra ver o que está acontecendo”. Ou elas chegam ao trabalho e deixam a home do UOL aberta.
Este é muito o nosso DNA: ser um porto seguro para as pessoas se informarem e validarem as informações num mundo com tanta desinformação. Veículos de produção profissionais, como o UOL, cumprem um papel fundamental hoje em dia: garantir a veracidade de todas as informações que circulam pela internet. Acho que esse é um dos papéis mais importantes do UOL no dia a dia.
Como o veículo vem se adaptando às novas formas de consumo de mídia?
A gente entende que as pessoas mudam seus hábitos de consumo. Por isso, expandimos nossos formatos e investimos muito em distribuição, que atualmente está pulverizada. Nossa preocupação hoje é que as pessoas consumam conteúdo de qualidade onde quer que elas consumam conteúdo. Foi por isso que fizemos um movimento para a TV conectada, TV paga, todas as redes sociais.
Quais outros canais e formatos receberam investimentos?
O UOL tem o maior número de assinantes de WhatsApp no mundo. Não é nem no Brasil, é no mundo. São mais de 40 milhões de assinantes. E a gente investe em formatos adaptados ao estilo de consumo de conteúdo atual. Hoje, vídeo é prioridade para a produção de conteúdo. Investimos em cinco estúdios de televisão de última geração, talentos, capacidade de produção, capacidade de entrega de conteúdo em vídeo.
Temos texto para alguns momentos, temos vídeo para outros. E temos agora o UOL Flash, um formato mais parecido com rede social — vídeos curtos, verticais.
As pessoas com menos de 25 anos tiveram pouco contato com as origens da internet. Estamos falando de um público mais novo, que foi aculturado em outras plataformas e não tinha o UOL como uma das grandes opções para consumo de conteúdo digital. Mas, ao mesmo tempo, hoje todo mundo consome rede social. Em determinados momentos do dia, é mais fácil você consumir um conteúdo rápido, um vídeo curto; à noite, na sua casa, você assiste a um vídeo mais longo, um documentário.
Assim o Canal UOL entra na história?
O Canal UOL é uma iniciativa para entrar com uma linguagem mais televisiva dentro desse mundo digital, porque fala com um outro tipo de público. A ideia era consolidar tudo que estamos produzindo em vídeo num formato ao qual os brasileiros estão habituados. Criamos uma grade, porque as pessoas se habituam a consumir determinado conteúdo em determinado momento do dia. E os anunciantes têm uma oportunidade adicional de falar com a sua audiência, em outros momentos de consumo.
O foco da estratégia é capturar novos públicos?
Isso é um pouco da nossa estratégia. Queremos falar com um público novo, mas também com o público que já está acostumado ao UOL — só que em outros momentos da jornada diária de consumo de conteúdo.
O Canal UOL é para um momento em que você está mais relaxado e senta para ver TV conectada. Durante o dia, você vê pílulas do Canal UOL na página do UOL ou no YouTube, outro grande canal de distribuição nosso. Somos um dos líderes de audiência, em comparação com outros publishers brasileiros. E temos canais no Spotify, porque rádio é outro formato importante.
Acho que este é o grande impacto do UOL no dia a dia dos brasileiros: estar presente em todos os momentos de consumo de conteúdo e de entretenimento.
Como estimular a inovação em uma empresa que já completou três décadas?
Primeiro, essa é a nossa cultura. A gente tem isso escrito no nosso quadro de valores: “Inovação é você não se contentar com aquilo que já foi feito”. No UOL, é proibido falar: “Ah, eu tô fazendo isso porque isso sempre foi feito assim”. O que a gente incentiva é buscar novas formas de fazer qualquer coisa. Proatividade, experimentação, tudo isso é parte da nossa cultura, e é assim que você incentiva a inovação em qualquer empresa.
Inovação precisa ser entendida como pequenos passos no dia a dia, em processos, na forma de pensar. São pequenas mudanças graduais que, no fim, geram uma grande mudança de processo ou de produto ou o lançamento de um novo produto. Se você pensar em pequenas coisas, aos poucos vai entregar grandes inovações. A gente faz isso dentro do UOL.
Nos próximos 30 anos, quais serão os investimentos prioritários?
Vamos reforçar nosso papel de produtor de conteúdo de qualidade com credibilidade, que fortalece a relevância do UOL no cenário social, econômico, político, democrático, saudável do Brasil.
O papel do UOL e do publisher profissional é este: manter a responsabilidade, trazer inovação, conectar as pessoas e conectar marcas às pessoas, porque é isso que gera todo esse universo que temos aqui dentro. Nosso ecossistema é focado tanto nas assinaturas de produtos e serviços quanto na audiência relevante, que nos coloca como um dos maiores meios de publicidade do país.
Os próximos 30 anos vão reforçar o UOL nessa posição. E estaremos sempre atentos às novas tendências. Vamos focar cada vez mais em conteúdo em vídeo. Vamos investir cada vez mais em inteligência artificial, para ter mais agilidade e mais qualidade.
O jornalismo ainda é a essência do UOL? Ou a tendência é que ele se torne a porta de entrada para outros negócios do grupo?
O jornalismo sempre foi fundamental para toda a estratégia do UOL. Por meio do jornalismo, as pessoas buscam produtos, serviços, conteúdo exclusivo. As pessoas assinam produtos por meio da qualidade do nosso jornalismo. Então eu entendo que o jornalismo é, sempre foi e sempre será a pedra fundamental do que a gente vê hoje como UOL.
Isso não exclui que, dentro do UOL, surjam produtos e iniciativas que eventualmente virem uma outra empresa. Como surgiu um produto que virou um banco, o PagBank. Como surgiu uma empresa de tecnologia, a Compass UOL. O papel do UOL é ser um ponto relevante de busca de informação, conteúdo e conhecimento, onde as pessoas se sentem confortáveis e seguras.
O grupo pode lançar uma nova empresa voltada ao entretenimento?
É uma possibilidade. Há três anos, compramos a maior empresa de venda de ingressos de cinema do Brasil, a Ingresso.com. Hoje, somos o maior vendedor de ingressos de cinema do país disparado. Entretenimento é muito relevante, é um momento de prazer, e você pode ter vários negócios ali. Tudo isso faz parte da nossa linha de avaliação de atuação.
Estamos reforçando nossa veia de entretenimento, até porque entretenimento é uma das audiências mais relevantes dentro do UOL: toda a nossa cobertura de reality shows, de futebol — porque esporte não deixa de ser entretenimento. Mas reforçando mais uma vez: conteúdo de qualidade com credibilidade é a base de tudo que estamos pensando.
Há dois anos, compramos também 30% da Neooh, uma das maiores empresas de mídia out-of-home do mercado. Isso mostra nossa atenção a novos canais de distribuição, porque mídia exterior é um canal que está crescendo muito.
O CarnaUOL pode ser embrião para uma atuação mais ampla no território de música?
Sem dúvida nenhuma, pode ser. O CarnaUOL está na sua 11ª edição. A gente aprendeu muito sobre como produzir conteúdo ao vivo, conteúdo proprietário. Temos uma série de eventos que produzimos.
Então, uma linha de eventos pode ser algo que cresça muito nos próximos anos. Espetáculos, shows: estamos avaliando tudo que gere valor para o consumidor final, que faça sentido para o anunciante e que a gente possa alavancar com nossas propriedades digitais.
Como será a plataforma de conteúdo do futuro?
Acho que ela vai estar cada vez mais distribuída e que o conteúdo vai ser gerado de diversas formas. Mas uma coisa que eu vejo com certeza é: publishers profissionais de conteúdo, como o UOL, terão um papel fundamental nas plataformas de conteúdo do futuro — sejam elas redes sociais, tenham ou não inteligência artificial.
No fim, o que vai garantir a segurança do conteúdo… Fazendo um paralelo, consumir conteúdo é a mesma coisa que se alimentar. Você não se alimenta de produtos quando não conhece sua procedência. Você não quer consumir sem saber o que está consumindo.
As pessoas precisam disso, mesmo sem saber. Publishers profissionais de conteúdo, com credibilidade, estão garantidos no futuro porque as pessoas vão precisar de referências para validar o que consomem.
Paulo Samia, CEO do UOL
Paulo Samia, do UOL: ‘Publishers profissionais terão papel fundamental nas plataformas de conteúdo do futuro’
Divulgação/UOL

Débora Yuri - UOL para Marcas
Há três décadas, o portal de conteúdo e serviços digitais pioneiro do Brasil. Em 2026, um dos maiores publishers da América Latina. E no próximo ciclo de vida?
Paulo Samia, CEO do UOL, conversou com o UOL para Marcas na véspera do aniversário de 30 anos do veículo. Fez uma retrospectiva de lançamentos que se tornaram marcos da cultura popular, falou sobre o papel do UOL na rotina dos brasileiros, discutiu inovação e projetou como será a plataforma de conteúdo do futuro. Confira trechos da entrevista.
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O UOL está completando 30 anos. Se você fosse criar uma retrospectiva dessa história, quais seriam os principais momentos?
São muitas oportunidades para mostrar coisas que a gente fez no Brasil, no cenário de comunicação, na migração para o digital, no letramento da população para começar a ingressar nesse mundo digital. O lançamento do UOL foi um grande marco para a internet brasileira. O UOL foi pioneiro — o primeiro portal de produção de conteúdo e serviços naquela época inicial de acesso à internet.
No começo, a gente teve um papel forte também de conectar as pessoas. O Brasil não tinha um acesso à internet tão distribuído como hoje, então entramos nessa área. Lançamos uma empresa de telecomunicações, a AcessoNet.
Acho que todo mundo que começou a acessar a internet naquela época teve um contato forte com o UOL. Muitos tiveram o primeiro e-mail do UOL e mantêm até hoje. E, até hoje, muita gente fala que se conheceu pelo Bate-Papo UOL. Lançamos uma série de produtos que foram marcos da cultura popular no país.
Como o Placar UOL?
Como o Placar UOL. Ao mesmo tempo que a gente lançou o UOL, começamos a mudar a linguagem e o formato do conteúdo levado às pessoas. E sempre pensamos nos diversos momentos de consumo. O Placar UOL foi um exemplo. Até hoje, muita gente acompanha a rodada, os gols, por ele. São produtos que marcaram e ainda marcam a vida de muitas pessoas.
Ao longo do tempo, lançamos também produtos que criaram vida própria, como o PagBank — que foi lançado dentro do UOL e hoje é uma das maiores empresas financeiras do Brasil. Ou o UOL Host, que dá acesso a centenas de milhares de pequenos empreendedores ao universo digital. O UOL é um celeiro de inovação, de novidades.
Outro ponto é que estivemos presentes em momentos importantes. Por exemplo: o UOL foi o único site brasileiro que não caiu no 11 de Setembro.
De 1996 até agora, qual tem sido o papel do UOL na rotina dos brasileiros?
Nosso papel sempre foi informar e prover serviços e produtos de qualidade. E os brasileiros, cada vez mais, passaram a se informar e consumir conteúdo por meio de canais digitais. Hoje, você escuta muitas pessoas falando: “A primeira coisa que eu faço de manhã é abrir o site do UOL pra ver o que está acontecendo”. Ou elas chegam ao trabalho e deixam a home do UOL aberta.
Este é muito o nosso DNA: ser um porto seguro para as pessoas se informarem e validarem as informações num mundo com tanta desinformação. Veículos de produção profissionais, como o UOL, cumprem um papel fundamental hoje em dia: garantir a veracidade de todas as informações que circulam pela internet. Acho que esse é um dos papéis mais importantes do UOL no dia a dia.
Como o veículo vem se adaptando às novas formas de consumo de mídia?
A gente entende que as pessoas mudam seus hábitos de consumo. Por isso, expandimos nossos formatos e investimos muito em distribuição, que atualmente está pulverizada. Nossa preocupação hoje é que as pessoas consumam conteúdo de qualidade onde quer que elas consumam conteúdo. Foi por isso que fizemos um movimento para a TV conectada, TV paga, todas as redes sociais.
Quais outros canais e formatos receberam investimentos?
O UOL tem o maior número de assinantes de WhatsApp no mundo. Não é nem no Brasil, é no mundo. São mais de 40 milhões de assinantes. E a gente investe em formatos adaptados ao estilo de consumo de conteúdo atual. Hoje, vídeo é prioridade para a produção de conteúdo. Investimos em cinco estúdios de televisão de última geração, talentos, capacidade de produção, capacidade de entrega de conteúdo em vídeo.
Temos texto para alguns momentos, temos vídeo para outros. E temos agora o UOL Flash, um formato mais parecido com rede social — vídeos curtos, verticais.
As pessoas com menos de 25 anos tiveram pouco contato com as origens da internet. Estamos falando de um público mais novo, que foi aculturado em outras plataformas e não tinha o UOL como uma das grandes opções para consumo de conteúdo digital. Mas, ao mesmo tempo, hoje todo mundo consome rede social. Em determinados momentos do dia, é mais fácil você consumir um conteúdo rápido, um vídeo curto; à noite, na sua casa, você assiste a um vídeo mais longo, um documentário.
Assim o Canal UOL entra na história?
O Canal UOL é uma iniciativa para entrar com uma linguagem mais televisiva dentro desse mundo digital, porque fala com um outro tipo de público. A ideia era consolidar tudo que estamos produzindo em vídeo num formato ao qual os brasileiros estão habituados. Criamos uma grade, porque as pessoas se habituam a consumir determinado conteúdo em determinado momento do dia. E os anunciantes têm uma oportunidade adicional de falar com a sua audiência, em outros momentos de consumo.
O foco da estratégia é capturar novos públicos?
Isso é um pouco da nossa estratégia. Queremos falar com um público novo, mas também com o público que já está acostumado ao UOL — só que em outros momentos da jornada diária de consumo de conteúdo.
O Canal UOL é para um momento em que você está mais relaxado e senta para ver TV conectada. Durante o dia, você vê pílulas do Canal UOL na página do UOL ou no YouTube, outro grande canal de distribuição nosso. Somos um dos líderes de audiência, em comparação com outros publishers brasileiros. E temos canais no Spotify, porque rádio é outro formato importante.
Acho que este é o grande impacto do UOL no dia a dia dos brasileiros: estar presente em todos os momentos de consumo de conteúdo e de entretenimento.
Como estimular a inovação em uma empresa que já completou três décadas?
Primeiro, essa é a nossa cultura. A gente tem isso escrito no nosso quadro de valores: “Inovação é você não se contentar com aquilo que já foi feito”. No UOL, é proibido falar: “Ah, eu tô fazendo isso porque isso sempre foi feito assim”. O que a gente incentiva é buscar novas formas de fazer qualquer coisa. Proatividade, experimentação, tudo isso é parte da nossa cultura, e é assim que você incentiva a inovação em qualquer empresa.
Inovação precisa ser entendida como pequenos passos no dia a dia, em processos, na forma de pensar. São pequenas mudanças graduais que, no fim, geram uma grande mudança de processo ou de produto ou o lançamento de um novo produto. Se você pensar em pequenas coisas, aos poucos vai entregar grandes inovações. A gente faz isso dentro do UOL.
Nos próximos 30 anos, quais serão os investimentos prioritários?
Vamos reforçar nosso papel de produtor de conteúdo de qualidade com credibilidade, que fortalece a relevância do UOL no cenário social, econômico, político, democrático, saudável do Brasil.
O papel do UOL e do publisher profissional é este: manter a responsabilidade, trazer inovação, conectar as pessoas e conectar marcas às pessoas, porque é isso que gera todo esse universo que temos aqui dentro. Nosso ecossistema é focado tanto nas assinaturas de produtos e serviços quanto na audiência relevante, que nos coloca como um dos maiores meios de publicidade do país.
Os próximos 30 anos vão reforçar o UOL nessa posição. E estaremos sempre atentos às novas tendências. Vamos focar cada vez mais em conteúdo em vídeo. Vamos investir cada vez mais em inteligência artificial, para ter mais agilidade e mais qualidade.
O jornalismo ainda é a essência do UOL? Ou a tendência é que ele se torne a porta de entrada para outros negócios do grupo?
O jornalismo sempre foi fundamental para toda a estratégia do UOL. Por meio do jornalismo, as pessoas buscam produtos, serviços, conteúdo exclusivo. As pessoas assinam produtos por meio da qualidade do nosso jornalismo. Então eu entendo que o jornalismo é, sempre foi e sempre será a pedra fundamental do que a gente vê hoje como UOL.
Isso não exclui que, dentro do UOL, surjam produtos e iniciativas que eventualmente virem uma outra empresa. Como surgiu um produto que virou um banco, o PagBank. Como surgiu uma empresa de tecnologia, a Compass UOL. O papel do UOL é ser um ponto relevante de busca de informação, conteúdo e conhecimento, onde as pessoas se sentem confortáveis e seguras.
O grupo pode lançar uma nova empresa voltada ao entretenimento?
É uma possibilidade. Há três anos, compramos a maior empresa de venda de ingressos de cinema do Brasil, a Ingresso.com. Hoje, somos o maior vendedor de ingressos de cinema do país disparado. Entretenimento é muito relevante, é um momento de prazer, e você pode ter vários negócios ali. Tudo isso faz parte da nossa linha de avaliação de atuação.
Estamos reforçando nossa veia de entretenimento, até porque entretenimento é uma das audiências mais relevantes dentro do UOL: toda a nossa cobertura de reality shows, de futebol — porque esporte não deixa de ser entretenimento. Mas reforçando mais uma vez: conteúdo de qualidade com credibilidade é a base de tudo que estamos pensando.
Há dois anos, compramos também 30% da Neooh, uma das maiores empresas de mídia out-of-home do mercado. Isso mostra nossa atenção a novos canais de distribuição, porque mídia exterior é um canal que está crescendo muito.
O CarnaUOL pode ser embrião para uma atuação mais ampla no território de música?
Sem dúvida nenhuma, pode ser. O CarnaUOL está na sua 11ª edição. A gente aprendeu muito sobre como produzir conteúdo ao vivo, conteúdo proprietário. Temos uma série de eventos que produzimos.
Então, uma linha de eventos pode ser algo que cresça muito nos próximos anos. Espetáculos, shows: estamos avaliando tudo que gere valor para o consumidor final, que faça sentido para o anunciante e que a gente possa alavancar com nossas propriedades digitais.
Como será a plataforma de conteúdo do futuro?
Acho que ela vai estar cada vez mais distribuída e que o conteúdo vai ser gerado de diversas formas. Mas uma coisa que eu vejo com certeza é: publishers profissionais de conteúdo, como o UOL, terão um papel fundamental nas plataformas de conteúdo do futuro — sejam elas redes sociais, tenham ou não inteligência artificial.
No fim, o que vai garantir a segurança do conteúdo… Fazendo um paralelo, consumir conteúdo é a mesma coisa que se alimentar. Você não se alimenta de produtos quando não conhece sua procedência. Você não quer consumir sem saber o que está consumindo.
As pessoas precisam disso, mesmo sem saber. Publishers profissionais de conteúdo, com credibilidade, estão garantidos no futuro porque as pessoas vão precisar de referências para validar o que consomem.
Paulo Samia, CEO do UOL
Paulo Samia, do UOL: ‘Publishers profissionais terão papel fundamental nas plataformas de conteúdo do futuro’
Divulgação/UOL

Débora Yuri - UOL para Marcas
Há três décadas, o portal de conteúdo e serviços digitais pioneiro do Brasil. Em 2026, um dos maiores publishers da América Latina. E no próximo ciclo de vida?
Paulo Samia, CEO do UOL, conversou com o UOL para Marcas na véspera do aniversário de 30 anos do veículo. Fez uma retrospectiva de lançamentos que se tornaram marcos da cultura popular, falou sobre o papel do UOL na rotina dos brasileiros, discutiu inovação e projetou como será a plataforma de conteúdo do futuro. Confira trechos da entrevista.
*
O UOL está completando 30 anos. Se você fosse criar uma retrospectiva dessa história, quais seriam os principais momentos?
São muitas oportunidades para mostrar coisas que a gente fez no Brasil, no cenário de comunicação, na migração para o digital, no letramento da população para começar a ingressar nesse mundo digital. O lançamento do UOL foi um grande marco para a internet brasileira. O UOL foi pioneiro — o primeiro portal de produção de conteúdo e serviços naquela época inicial de acesso à internet.
No começo, a gente teve um papel forte também de conectar as pessoas. O Brasil não tinha um acesso à internet tão distribuído como hoje, então entramos nessa área. Lançamos uma empresa de telecomunicações, a AcessoNet.
Acho que todo mundo que começou a acessar a internet naquela época teve um contato forte com o UOL. Muitos tiveram o primeiro e-mail do UOL e mantêm até hoje. E, até hoje, muita gente fala que se conheceu pelo Bate-Papo UOL. Lançamos uma série de produtos que foram marcos da cultura popular no país.
Como o Placar UOL?
Como o Placar UOL. Ao mesmo tempo que a gente lançou o UOL, começamos a mudar a linguagem e o formato do conteúdo levado às pessoas. E sempre pensamos nos diversos momentos de consumo. O Placar UOL foi um exemplo. Até hoje, muita gente acompanha a rodada, os gols, por ele. São produtos que marcaram e ainda marcam a vida de muitas pessoas.
Ao longo do tempo, lançamos também produtos que criaram vida própria, como o PagBank — que foi lançado dentro do UOL e hoje é uma das maiores empresas financeiras do Brasil. Ou o UOL Host, que dá acesso a centenas de milhares de pequenos empreendedores ao universo digital. O UOL é um celeiro de inovação, de novidades.
Outro ponto é que estivemos presentes em momentos importantes. Por exemplo: o UOL foi o único site brasileiro que não caiu no 11 de Setembro.
De 1996 até agora, qual tem sido o papel do UOL na rotina dos brasileiros?
Nosso papel sempre foi informar e prover serviços e produtos de qualidade. E os brasileiros, cada vez mais, passaram a se informar e consumir conteúdo por meio de canais digitais. Hoje, você escuta muitas pessoas falando: “A primeira coisa que eu faço de manhã é abrir o site do UOL pra ver o que está acontecendo”. Ou elas chegam ao trabalho e deixam a home do UOL aberta.
Este é muito o nosso DNA: ser um porto seguro para as pessoas se informarem e validarem as informações num mundo com tanta desinformação. Veículos de produção profissionais, como o UOL, cumprem um papel fundamental hoje em dia: garantir a veracidade de todas as informações que circulam pela internet. Acho que esse é um dos papéis mais importantes do UOL no dia a dia.
Como o veículo vem se adaptando às novas formas de consumo de mídia?
A gente entende que as pessoas mudam seus hábitos de consumo. Por isso, expandimos nossos formatos e investimos muito em distribuição, que atualmente está pulverizada. Nossa preocupação hoje é que as pessoas consumam conteúdo de qualidade onde quer que elas consumam conteúdo. Foi por isso que fizemos um movimento para a TV conectada, TV paga, todas as redes sociais.
Quais outros canais e formatos receberam investimentos?
O UOL tem o maior número de assinantes de WhatsApp no mundo. Não é nem no Brasil, é no mundo. São mais de 40 milhões de assinantes. E a gente investe em formatos adaptados ao estilo de consumo de conteúdo atual. Hoje, vídeo é prioridade para a produção de conteúdo. Investimos em cinco estúdios de televisão de última geração, talentos, capacidade de produção, capacidade de entrega de conteúdo em vídeo.
Temos texto para alguns momentos, temos vídeo para outros. E temos agora o UOL Flash, um formato mais parecido com rede social — vídeos curtos, verticais.
As pessoas com menos de 25 anos tiveram pouco contato com as origens da internet. Estamos falando de um público mais novo, que foi aculturado em outras plataformas e não tinha o UOL como uma das grandes opções para consumo de conteúdo digital. Mas, ao mesmo tempo, hoje todo mundo consome rede social. Em determinados momentos do dia, é mais fácil você consumir um conteúdo rápido, um vídeo curto; à noite, na sua casa, você assiste a um vídeo mais longo, um documentário.
Assim o Canal UOL entra na história?
O Canal UOL é uma iniciativa para entrar com uma linguagem mais televisiva dentro desse mundo digital, porque fala com um outro tipo de público. A ideia era consolidar tudo que estamos produzindo em vídeo num formato ao qual os brasileiros estão habituados. Criamos uma grade, porque as pessoas se habituam a consumir determinado conteúdo em determinado momento do dia. E os anunciantes têm uma oportunidade adicional de falar com a sua audiência, em outros momentos de consumo.
O foco da estratégia é capturar novos públicos?
Isso é um pouco da nossa estratégia. Queremos falar com um público novo, mas também com o público que já está acostumado ao UOL — só que em outros momentos da jornada diária de consumo de conteúdo.
O Canal UOL é para um momento em que você está mais relaxado e senta para ver TV conectada. Durante o dia, você vê pílulas do Canal UOL na página do UOL ou no YouTube, outro grande canal de distribuição nosso. Somos um dos líderes de audiência, em comparação com outros publishers brasileiros. E temos canais no Spotify, porque rádio é outro formato importante.
Acho que este é o grande impacto do UOL no dia a dia dos brasileiros: estar presente em todos os momentos de consumo de conteúdo e de entretenimento.
Como estimular a inovação em uma empresa que já completou três décadas?
Primeiro, essa é a nossa cultura. A gente tem isso escrito no nosso quadro de valores: “Inovação é você não se contentar com aquilo que já foi feito”. No UOL, é proibido falar: “Ah, eu tô fazendo isso porque isso sempre foi feito assim”. O que a gente incentiva é buscar novas formas de fazer qualquer coisa. Proatividade, experimentação, tudo isso é parte da nossa cultura, e é assim que você incentiva a inovação em qualquer empresa.
Inovação precisa ser entendida como pequenos passos no dia a dia, em processos, na forma de pensar. São pequenas mudanças graduais que, no fim, geram uma grande mudança de processo ou de produto ou o lançamento de um novo produto. Se você pensar em pequenas coisas, aos poucos vai entregar grandes inovações. A gente faz isso dentro do UOL.
Nos próximos 30 anos, quais serão os investimentos prioritários?
Vamos reforçar nosso papel de produtor de conteúdo de qualidade com credibilidade, que fortalece a relevância do UOL no cenário social, econômico, político, democrático, saudável do Brasil.
O papel do UOL e do publisher profissional é este: manter a responsabilidade, trazer inovação, conectar as pessoas e conectar marcas às pessoas, porque é isso que gera todo esse universo que temos aqui dentro. Nosso ecossistema é focado tanto nas assinaturas de produtos e serviços quanto na audiência relevante, que nos coloca como um dos maiores meios de publicidade do país.
Os próximos 30 anos vão reforçar o UOL nessa posição. E estaremos sempre atentos às novas tendências. Vamos focar cada vez mais em conteúdo em vídeo. Vamos investir cada vez mais em inteligência artificial, para ter mais agilidade e mais qualidade.
O jornalismo ainda é a essência do UOL? Ou a tendência é que ele se torne a porta de entrada para outros negócios do grupo?
O jornalismo sempre foi fundamental para toda a estratégia do UOL. Por meio do jornalismo, as pessoas buscam produtos, serviços, conteúdo exclusivo. As pessoas assinam produtos por meio da qualidade do nosso jornalismo. Então eu entendo que o jornalismo é, sempre foi e sempre será a pedra fundamental do que a gente vê hoje como UOL.
Isso não exclui que, dentro do UOL, surjam produtos e iniciativas que eventualmente virem uma outra empresa. Como surgiu um produto que virou um banco, o PagBank. Como surgiu uma empresa de tecnologia, a Compass UOL. O papel do UOL é ser um ponto relevante de busca de informação, conteúdo e conhecimento, onde as pessoas se sentem confortáveis e seguras.
O grupo pode lançar uma nova empresa voltada ao entretenimento?
É uma possibilidade. Há três anos, compramos a maior empresa de venda de ingressos de cinema do Brasil, a Ingresso.com. Hoje, somos o maior vendedor de ingressos de cinema do país disparado. Entretenimento é muito relevante, é um momento de prazer, e você pode ter vários negócios ali. Tudo isso faz parte da nossa linha de avaliação de atuação.
Estamos reforçando nossa veia de entretenimento, até porque entretenimento é uma das audiências mais relevantes dentro do UOL: toda a nossa cobertura de reality shows, de futebol — porque esporte não deixa de ser entretenimento. Mas reforçando mais uma vez: conteúdo de qualidade com credibilidade é a base de tudo que estamos pensando.
Há dois anos, compramos também 30% da Neooh, uma das maiores empresas de mídia out-of-home do mercado. Isso mostra nossa atenção a novos canais de distribuição, porque mídia exterior é um canal que está crescendo muito.
O CarnaUOL pode ser embrião para uma atuação mais ampla no território de música?
Sem dúvida nenhuma, pode ser. O CarnaUOL está na sua 11ª edição. A gente aprendeu muito sobre como produzir conteúdo ao vivo, conteúdo proprietário. Temos uma série de eventos que produzimos.
Então, uma linha de eventos pode ser algo que cresça muito nos próximos anos. Espetáculos, shows: estamos avaliando tudo que gere valor para o consumidor final, que faça sentido para o anunciante e que a gente possa alavancar com nossas propriedades digitais.
Como será a plataforma de conteúdo do futuro?
Acho que ela vai estar cada vez mais distribuída e que o conteúdo vai ser gerado de diversas formas. Mas uma coisa que eu vejo com certeza é: publishers profissionais de conteúdo, como o UOL, terão um papel fundamental nas plataformas de conteúdo do futuro — sejam elas redes sociais, tenham ou não inteligência artificial.
No fim, o que vai garantir a segurança do conteúdo… Fazendo um paralelo, consumir conteúdo é a mesma coisa que se alimentar. Você não se alimenta de produtos quando não conhece sua procedência. Você não quer consumir sem saber o que está consumindo.
As pessoas precisam disso, mesmo sem saber. Publishers profissionais de conteúdo, com credibilidade, estão garantidos no futuro porque as pessoas vão precisar de referências para validar o que consomem.
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