Brainstorm|15 jan, 2026|

Jornalismo em 2026: quais são as expectativas segundo o Reuters Institute

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Fernanda Bottoni - UOL para Marcas

Como será o jornalismo em 2026? É provável que a indústria esteja ainda mais pressionada pela IA generativa, que oferece outros formatos de acesso à informação. Também é possível que ela tenha de lidar com a maior concorrência de criadores de conteúdo e influenciadores humanos em torno das notícias. Quem indica é uma pesquisa do Reuters Institute que ouviu 280 líderes digitais de 51 países e territórios. Reunimos a seguir algumas das principais conclusões.

Como deve ser o jornalismo em 2026 na visão dos líderes de mídia

Apenas 38% da amostra de editores, CEOs e executivos digitais dizem estar confiantes em relação às perspectivas para o jornalismo no próximo ano. Isso significa uma queda de 22 pontos percentuais em relação à pesquisa realizada quatro anos atrás.

As preocupações declaradas incluem ataques políticos contra o jornalismo, perda de verbas da USAID (United States Agency for International Development), que apoiava a mídia independente em muitas partes do mundo, e quedas significativas no tráfego de muitos sites de notícias online.

Ainda assim, 53% dos entrevistados estão confiantes em relação às perspectivas de seus próprios negócios, número semelhante ao identificado no ano passado. Segundo a pesquisa, editoras de alto padrão, apoiadas por assinaturas e forte tráfego direto, vislumbram um caminho para a lucratividade a longo prazo. Já aquelas que dependem de publicidade e mídia impressa se preocupam com quedas acentuadas na receita e com o impacto potencial da busca com inteligência artificial.

Queda do tráfego via mecanismos de busca

Em geral, os editores preveem queda de mais de 40% no tráfego proveniente de mecanismos de busca nos próximos três anos. O estudo destaca que isso não chega a ser um “Google Zero”, mas ainda representa um impacto substancial. Lembra ainda que dados da Chartbeat, provedora de análises, mostram que o tráfego agregado para centenas de sites de notícias a partir da busca do Google já começou a diminuir, com editores que dependem de conteúdo sobre estilo de vida afirmando terem sido particularmente afetados pelo lançamento dos resumos de IA do Google. Isso ocorre após quedas significativas no tráfego de referência para sites de notícias proveniente do Facebook (-43%) e do X, antigo Twitter (-46%), nos últimos três anos.

Conteúdo mais original e humano

A resposta dos líderes de mídia deve passar pelo aumento de investigações originais e reportagens in loco, análises e explicações contextuais e histórias humanas. Por outro lado, elas planejam reduzir o jornalismo de serviço, o conteúdo evergreen e as notícias gerais. Muitos entrevistados acreditam que esse tipo de conteúdo deve se tornar commodity com os chatbots de IA. Ao mesmo tempo, os editores acreditam que será importante investir em mais vídeos e formatos de áudio, como podcasts, e um pouco menos em conteúdo em texto.

YouTube no foco

Quando perguntados em relação a estratégias fora das suas plataformas de mídia, os editores indicaram o YouTube como foco principal para este ano. Outras plataformas como TikTok e Instagram também estão entre as prioridades, juntamente com a busca por maneiras de navegar na distribuição por meio de plataformas de IA, como o ChatGPT, da OpenAI, o Gemini, do Google, e o Perplexity. O estudo ainda destaca que os editores devem investir menos esforços em SEO tradicional do Google e redes sociais também tradicionais, como Facebook e X.

Novas receitas com licenciamento de conteúdo

Os executivos de notícias enxergam oportunidades para gerar novas receitas com o licenciamento de conteúdo em chatbots. Entre os entrevistados, 49% esperam uma contribuição pequena, 20% esperam receitas futuras substanciais (estão aqui principalmente empresas de notícias de grande porte) e outros 20%, formados principalmente por editoras locais, emissoras públicas ou de países menores, não esperam ter receita com acordos de IA.

Mais uso de IA nas empresas de notícias

O uso de tecnologias de inteligência artificial está aumentando nas empresas de notícias. Neste ano, 97% dos publishers consideram prioritária a automação de processos internos — como organização de conteúdo e integração com sistemas editoriais —, e muitos já incorporaram projetos-piloto diretamente aos seus sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS). As aplicações voltadas à apuração jornalística aparecem em segundo lugar em importância (82%), enquanto o uso de IA para acelerar a programação e o desenvolvimento de produtos também avança (81%).

A pesquisa indica ainda que 44% dos entrevistados afirmam que suas iniciativas de IA em redações estão apresentando resultados “promissores”. Uma proporção semelhante, de 42%, porém, descreve as ações como “limitadas”. Além disso, 67% dizem que não conseguiram reduzir postos de trabalho como resultado da eficiência proporcionada pela IA.

Criadores de conteúdo e influenciadores

A ascensão dos criadores de conteúdo e influenciadores preocupa as editoras por dois motivos. 70% dos entrevistados temem que eles estejam desviando tempo e atenção do conteúdo original das editoras. E 39% têm receio de perder os melhores talentos editoriais para o ecossistema de criadores, que oferece maior controle e recompensas financeiras potencialmente mais elevadas.

Para se adaptar ao novo contexto, 76% dos editores entrevistados afirmam que tentarão fazer com que suas equipes se comportem mais como criadores neste ano. Metade disse que fará parcerias com creators para ajudar na distribuição de conteúdo, e 31% afirmaram que contratarão criadores, por exemplo, para gerenciar suas contas de mídia social. Outros 28% pretendem criar estúdios para criadores e facilitar parcerias.

O relatório completo está disponível neste link.

O UOL conecta cada pessoa ao seu universo e cada marca ao seu target

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Como será o jornalismo em 2026? É provável que a indústria esteja ainda mais pressionada pela IA generativa, que oferece outros formatos de acesso à informação. Também é possível que ela tenha de lidar com a maior concorrência de criadores de conteúdo e influenciadores humanos em torno das notícias. Quem indica é uma pesquisa do Reuters Institute que ouviu 280 líderes digitais de 51 países e territórios. Reunimos a seguir algumas das principais conclusões.

Como deve ser o jornalismo em 2026 na visão dos líderes de mídia

Apenas 38% da amostra de editores, CEOs e executivos digitais dizem estar confiantes em relação às perspectivas para o jornalismo no próximo ano. Isso significa uma queda de 22 pontos percentuais em relação à pesquisa realizada quatro anos atrás.

As preocupações declaradas incluem ataques políticos contra o jornalismo, perda de verbas da USAID (United States Agency for International Development), que apoiava a mídia independente em muitas partes do mundo, e quedas significativas no tráfego de muitos sites de notícias online.

Ainda assim, 53% dos entrevistados estão confiantes em relação às perspectivas de seus próprios negócios, número semelhante ao identificado no ano passado. Segundo a pesquisa, editoras de alto padrão, apoiadas por assinaturas e forte tráfego direto, vislumbram um caminho para a lucratividade a longo prazo. Já aquelas que dependem de publicidade e mídia impressa se preocupam com quedas acentuadas na receita e com o impacto potencial da busca com inteligência artificial.

Queda do tráfego via mecanismos de busca

Em geral, os editores preveem queda de mais de 40% no tráfego proveniente de mecanismos de busca nos próximos três anos. O estudo destaca que isso não chega a ser um “Google Zero”, mas ainda representa um impacto substancial. Lembra ainda que dados da Chartbeat, provedora de análises, mostram que o tráfego agregado para centenas de sites de notícias a partir da busca do Google já começou a diminuir, com editores que dependem de conteúdo sobre estilo de vida afirmando terem sido particularmente afetados pelo lançamento dos resumos de IA do Google. Isso ocorre após quedas significativas no tráfego de referência para sites de notícias proveniente do Facebook (-43%) e do X, antigo Twitter (-46%), nos últimos três anos.

Conteúdo mais original e humano

A resposta dos líderes de mídia deve passar pelo aumento de investigações originais e reportagens in loco, análises e explicações contextuais e histórias humanas. Por outro lado, elas planejam reduzir o jornalismo de serviço, o conteúdo evergreen e as notícias gerais. Muitos entrevistados acreditam que esse tipo de conteúdo deve se tornar commodity com os chatbots de IA. Ao mesmo tempo, os editores acreditam que será importante investir em mais vídeos e formatos de áudio, como podcasts, e um pouco menos em conteúdo em texto.

YouTube no foco

Quando perguntados em relação a estratégias fora das suas plataformas de mídia, os editores indicaram o YouTube como foco principal para este ano. Outras plataformas como TikTok e Instagram também estão entre as prioridades, juntamente com a busca por maneiras de navegar na distribuição por meio de plataformas de IA, como o ChatGPT, da OpenAI, o Gemini, do Google, e o Perplexity. O estudo ainda destaca que os editores devem investir menos esforços em SEO tradicional do Google e redes sociais também tradicionais, como Facebook e X.

Novas receitas com licenciamento de conteúdo

Os executivos de notícias enxergam oportunidades para gerar novas receitas com o licenciamento de conteúdo em chatbots. Entre os entrevistados, 49% esperam uma contribuição pequena, 20% esperam receitas futuras substanciais (estão aqui principalmente empresas de notícias de grande porte) e outros 20%, formados principalmente por editoras locais, emissoras públicas ou de países menores, não esperam ter receita com acordos de IA.

Mais uso de IA nas empresas de notícias

O uso de tecnologias de inteligência artificial está aumentando nas empresas de notícias. Neste ano, 97% dos publishers consideram prioritária a automação de processos internos — como organização de conteúdo e integração com sistemas editoriais —, e muitos já incorporaram projetos-piloto diretamente aos seus sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS). As aplicações voltadas à apuração jornalística aparecem em segundo lugar em importância (82%), enquanto o uso de IA para acelerar a programação e o desenvolvimento de produtos também avança (81%).

A pesquisa indica ainda que 44% dos entrevistados afirmam que suas iniciativas de IA em redações estão apresentando resultados “promissores”. Uma proporção semelhante, de 42%, porém, descreve as ações como “limitadas”. Além disso, 67% dizem que não conseguiram reduzir postos de trabalho como resultado da eficiência proporcionada pela IA.

Criadores de conteúdo e influenciadores

A ascensão dos criadores de conteúdo e influenciadores preocupa as editoras por dois motivos. 70% dos entrevistados temem que eles estejam desviando tempo e atenção do conteúdo original das editoras. E 39% têm receio de perder os melhores talentos editoriais para o ecossistema de criadores, que oferece maior controle e recompensas financeiras potencialmente mais elevadas.

Para se adaptar ao novo contexto, 76% dos editores entrevistados afirmam que tentarão fazer com que suas equipes se comportem mais como criadores neste ano. Metade disse que fará parcerias com creators para ajudar na distribuição de conteúdo, e 31% afirmaram que contratarão criadores, por exemplo, para gerenciar suas contas de mídia social. Outros 28% pretendem criar estúdios para criadores e facilitar parcerias.

O relatório completo está disponível neste link.

O UOL conecta cada pessoa ao seu universo e cada marca ao seu target

Brainstorm|15 jan, 2026|

Jornalismo em 2026: quais são as expectativas segundo o Reuters Institute

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Como será o jornalismo em 2026? É provável que a indústria esteja ainda mais pressionada pela IA generativa, que oferece outros formatos de acesso à informação. Também é possível que ela tenha de lidar com a maior concorrência de criadores de conteúdo e influenciadores humanos em torno das notícias. Quem indica é uma pesquisa do Reuters Institute que ouviu 280 líderes digitais de 51 países e territórios. Reunimos a seguir algumas das principais conclusões.

Como deve ser o jornalismo em 2026 na visão dos líderes de mídia

Apenas 38% da amostra de editores, CEOs e executivos digitais dizem estar confiantes em relação às perspectivas para o jornalismo no próximo ano. Isso significa uma queda de 22 pontos percentuais em relação à pesquisa realizada quatro anos atrás.

As preocupações declaradas incluem ataques políticos contra o jornalismo, perda de verbas da USAID (United States Agency for International Development), que apoiava a mídia independente em muitas partes do mundo, e quedas significativas no tráfego de muitos sites de notícias online.

Ainda assim, 53% dos entrevistados estão confiantes em relação às perspectivas de seus próprios negócios, número semelhante ao identificado no ano passado. Segundo a pesquisa, editoras de alto padrão, apoiadas por assinaturas e forte tráfego direto, vislumbram um caminho para a lucratividade a longo prazo. Já aquelas que dependem de publicidade e mídia impressa se preocupam com quedas acentuadas na receita e com o impacto potencial da busca com inteligência artificial.

Queda do tráfego via mecanismos de busca

Em geral, os editores preveem queda de mais de 40% no tráfego proveniente de mecanismos de busca nos próximos três anos. O estudo destaca que isso não chega a ser um “Google Zero”, mas ainda representa um impacto substancial. Lembra ainda que dados da Chartbeat, provedora de análises, mostram que o tráfego agregado para centenas de sites de notícias a partir da busca do Google já começou a diminuir, com editores que dependem de conteúdo sobre estilo de vida afirmando terem sido particularmente afetados pelo lançamento dos resumos de IA do Google. Isso ocorre após quedas significativas no tráfego de referência para sites de notícias proveniente do Facebook (-43%) e do X, antigo Twitter (-46%), nos últimos três anos.

Conteúdo mais original e humano

A resposta dos líderes de mídia deve passar pelo aumento de investigações originais e reportagens in loco, análises e explicações contextuais e histórias humanas. Por outro lado, elas planejam reduzir o jornalismo de serviço, o conteúdo evergreen e as notícias gerais. Muitos entrevistados acreditam que esse tipo de conteúdo deve se tornar commodity com os chatbots de IA. Ao mesmo tempo, os editores acreditam que será importante investir em mais vídeos e formatos de áudio, como podcasts, e um pouco menos em conteúdo em texto.

YouTube no foco

Quando perguntados em relação a estratégias fora das suas plataformas de mídia, os editores indicaram o YouTube como foco principal para este ano. Outras plataformas como TikTok e Instagram também estão entre as prioridades, juntamente com a busca por maneiras de navegar na distribuição por meio de plataformas de IA, como o ChatGPT, da OpenAI, o Gemini, do Google, e o Perplexity. O estudo ainda destaca que os editores devem investir menos esforços em SEO tradicional do Google e redes sociais também tradicionais, como Facebook e X.

Novas receitas com licenciamento de conteúdo

Os executivos de notícias enxergam oportunidades para gerar novas receitas com o licenciamento de conteúdo em chatbots. Entre os entrevistados, 49% esperam uma contribuição pequena, 20% esperam receitas futuras substanciais (estão aqui principalmente empresas de notícias de grande porte) e outros 20%, formados principalmente por editoras locais, emissoras públicas ou de países menores, não esperam ter receita com acordos de IA.

Mais uso de IA nas empresas de notícias

O uso de tecnologias de inteligência artificial está aumentando nas empresas de notícias. Neste ano, 97% dos publishers consideram prioritária a automação de processos internos — como organização de conteúdo e integração com sistemas editoriais —, e muitos já incorporaram projetos-piloto diretamente aos seus sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS). As aplicações voltadas à apuração jornalística aparecem em segundo lugar em importância (82%), enquanto o uso de IA para acelerar a programação e o desenvolvimento de produtos também avança (81%).

A pesquisa indica ainda que 44% dos entrevistados afirmam que suas iniciativas de IA em redações estão apresentando resultados “promissores”. Uma proporção semelhante, de 42%, porém, descreve as ações como “limitadas”. Além disso, 67% dizem que não conseguiram reduzir postos de trabalho como resultado da eficiência proporcionada pela IA.

Criadores de conteúdo e influenciadores

A ascensão dos criadores de conteúdo e influenciadores preocupa as editoras por dois motivos. 70% dos entrevistados temem que eles estejam desviando tempo e atenção do conteúdo original das editoras. E 39% têm receio de perder os melhores talentos editoriais para o ecossistema de criadores, que oferece maior controle e recompensas financeiras potencialmente mais elevadas.

Para se adaptar ao novo contexto, 76% dos editores entrevistados afirmam que tentarão fazer com que suas equipes se comportem mais como criadores neste ano. Metade disse que fará parcerias com creators para ajudar na distribuição de conteúdo, e 31% afirmaram que contratarão criadores, por exemplo, para gerenciar suas contas de mídia social. Outros 28% pretendem criar estúdios para criadores e facilitar parcerias.

O relatório completo está disponível neste link.

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