Fandoms do futebol: divisão entre esporte e cultura pop foi dissolvida, diz Marina Pires, da Monks
Divulgação

Débora Yuri - UOL para Marcas
Estamos testemunhando o fim da nostalgia romântica do “futebol raiz”. No seu lugar, surgiu um produto cultural mutante, afirma Marina Pires, managing director da Monks Brasil. Se o torcedor antigo vivia o rito da bola rolando, o atual vive o ecossistema: memes, fanfics, debates táticos no YouTube e a estética do esporte no dia a dia.
“Há uma liquidez maior: 47% dos jovens acompanham ligas em que seus times [do coração] sequer jogam. O novo torcedor é menos isolacionista e mais conectado com a creator economy, enxergando os criadores de conteúdo como mediadores da sua paixão”, explica a executiva.
Do estádio para a cultura digital
A agência da S4 Capital acaba de lançar o estudo A Era dos Fandoms: Modo Torcida, que investiga a evolução da cultura torcedora no país. A pesquisa combinou etnografia, análise semiótica, entrevistas com especialistas e uma amostra de mil entrevistados de 18 a 64 anos, de todas as regiões do Brasil.
Nesse laboratório de emoção coletiva, a paixão não depende mais da arquibancada, aponta a Monks: 51% acreditam ser grandes torcedores mesmo sem frequentar estádios.
“O esporte transbordou o campo e as transmissões tradicionais. Hoje, 43% dos torcedores brasileiros sentem que o futebol é mais divertido nas redes sociais do que na TV”, diz Pires.
Recado para os líderes de marca
Para o C-Level, o recado é claro, ela acrescenta: o engajamento deixou de ser um evento estático para se tornar um fluxo cultural contínuo.
“O achado fundamental do estudo é a descentralização definitiva da autoridade narrativa. O torcedor não é mais um receptor de mensagens; ele é um cocriador que interpreta, remixa e expande a marca do clube e de seus patrocinadores em tempo real.”
4 perfis definem os novos torcedores
Com os resultados, a Monks mapeou 4 identidades contemporâneas, que fogem do estereótipo do fanático por futebol.
- Muito além do placar
Torcedores movidos por valores e estética — como o foco em causas sociais ou estilo de vida.
- Torcida íntima
Consumo individualizado, que prioriza profundidade e curadoria (lives e podcasts).
- Bagunça core
O futebol como entretenimento puro, caos criativo e combustível para memes.
- Neofanáticos
O clube do coração é a base da identidade pessoal; eles vivem o time 24/7 como um ecossistema total.
A força do áudio — e do silêncio
Segundo Pires, a força da “torcida íntima” e o papel do áudio foram revelações poderosas. “Existe uma ideia difundida de que o torcedor brasileiro só se manifesta no grito e na aglomeração. Descobrimos que 49% desse perfil de torcida íntima mantêm uma intensidade emocional altíssima, mesmo em silêncio.”
Para esse grupo, o consumo via podcasts e cortes de áudio se tornou um “refúgio seguro” contra a pressão de performance das redes sociais.
Ela ressalta ainda que 64% dos jovens de 18 a 24 anos afirmam ser grandes fãs mesmo sem nunca pisar num estádio. “Isso redefine completamente o que entendemos por experiência do cliente no esporte.”
Taylor Swift, Leila Pereira e Nyvi Estephan
Little monsters, swifties e blinks no futebol? Sim, nós temos algo parecido.
“A fronteira entre o esporte e a cultura pop foi dissolvida”, resume a executiva. “O comportamento do neofanático é idêntico ao de um superfã da Taylor Swift: há uma defesa intransigente da identidade.”
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, também é citada. “O fenômeno em torno dela é puro ‘pop culture’. Ela gera soundbites [cortes de áudio] e memes que transcendem o campo.”
Outro case dos tempos modernos está na Kings League Brasil, com Nyvi Estephan. A influenciadora, ex-apresentadora de programas de TV, fundou e preside o Nyvelados FC. “Quando vemos uma figura como ela na liga, o futebol deixa de ser apenas esporte e vira um evento de entretenimento multiplataforma, que atrai comunidades gamers e geeks.”
Mulheres e futebol: o que as marcas precisam saber
Quase 8 em cada 10 mulheres entrevistadas pela pesquisa (78%) apontam o machismo como barreira no ambiente da modalidade tradicional. Já o futebol feminino surge como espaço de acolhimento e resistência. “Não é apenas sobre visibilidade, mas sobre criar comunidades onde torcer não exija um estado de vigilância constante”, observa Pires.
Colaborações x publicidade tradicional
Em relação à publicidade, o estudo revela uma saturação do modelo de interrupção. A preferência hoje é por colaborações: 55% dos fãs se emocionam mais com conteúdos gerados por outros torcedores do que com superproduções publicitárias tradicionais.
Lições sobre os fãs no Brasil de hoje
A managing director da Monks Brasil — que tem clientes como Netflix, Natura, Magazine Luiza, Google e RD Saúde — listou 3 lições finais que A Era dos Fandoms: Moda Torcida deixa para o marketing e a publicidade.
- Moda, música e gastronomia se encontram no esporte
“Quando a marca foca apenas no jogo, ela perde a conversa real que acontece no lifestyle do fã.”
- É preciso trocar o “logo gigante” pela conexão de nicho
“A intimidade de comunidades específicas converte muito mais do que qualquer mensagem genérica para a massa.”
- Deixe de ser uma intrusa e vire uma facilitadora
“Se a marca não está agregando valor ou potencializando a paixão da comunidade, será sumariamente ignorada. No cenário atual, relevância não se compra com exposição; ela é conquistada com utilidade e verdade.”
Fandoms do futebol: divisão entre esporte e cultura pop foi dissolvida, diz Marina Pires, da Monks
Divulgação

Débora Yuri - UOL para Marcas
Estamos testemunhando o fim da nostalgia romântica do “futebol raiz”. No seu lugar, surgiu um produto cultural mutante, afirma Marina Pires, managing director da Monks Brasil. Se o torcedor antigo vivia o rito da bola rolando, o atual vive o ecossistema: memes, fanfics, debates táticos no YouTube e a estética do esporte no dia a dia.
“Há uma liquidez maior: 47% dos jovens acompanham ligas em que seus times [do coração] sequer jogam. O novo torcedor é menos isolacionista e mais conectado com a creator economy, enxergando os criadores de conteúdo como mediadores da sua paixão”, explica a executiva.
Do estádio para a cultura digital
A agência da S4 Capital acaba de lançar o estudo A Era dos Fandoms: Modo Torcida, que investiga a evolução da cultura torcedora no país. A pesquisa combinou etnografia, análise semiótica, entrevistas com especialistas e uma amostra de mil entrevistados de 18 a 64 anos, de todas as regiões do Brasil.
Nesse laboratório de emoção coletiva, a paixão não depende mais da arquibancada, aponta a Monks: 51% acreditam ser grandes torcedores mesmo sem frequentar estádios.
“O esporte transbordou o campo e as transmissões tradicionais. Hoje, 43% dos torcedores brasileiros sentem que o futebol é mais divertido nas redes sociais do que na TV”, diz Pires.
Recado para os líderes de marca
Para o C-Level, o recado é claro, ela acrescenta: o engajamento deixou de ser um evento estático para se tornar um fluxo cultural contínuo.
“O achado fundamental do estudo é a descentralização definitiva da autoridade narrativa. O torcedor não é mais um receptor de mensagens; ele é um cocriador que interpreta, remixa e expande a marca do clube e de seus patrocinadores em tempo real.”
4 perfis definem os novos torcedores
Com os resultados, a Monks mapeou 4 identidades contemporâneas, que fogem do estereótipo do fanático por futebol.
- Muito além do placar
Torcedores movidos por valores e estética — como o foco em causas sociais ou estilo de vida.
- Torcida íntima
Consumo individualizado, que prioriza profundidade e curadoria (lives e podcasts).
- Bagunça core
O futebol como entretenimento puro, caos criativo e combustível para memes.
- Neofanáticos
O clube do coração é a base da identidade pessoal; eles vivem o time 24/7 como um ecossistema total.
A força do áudio — e do silêncio
Segundo Pires, a força da “torcida íntima” e o papel do áudio foram revelações poderosas. “Existe uma ideia difundida de que o torcedor brasileiro só se manifesta no grito e na aglomeração. Descobrimos que 49% desse perfil de torcida íntima mantêm uma intensidade emocional altíssima, mesmo em silêncio.”
Para esse grupo, o consumo via podcasts e cortes de áudio se tornou um “refúgio seguro” contra a pressão de performance das redes sociais.
Ela ressalta ainda que 64% dos jovens de 18 a 24 anos afirmam ser grandes fãs mesmo sem nunca pisar num estádio. “Isso redefine completamente o que entendemos por experiência do cliente no esporte.”
Taylor Swift, Leila Pereira e Nyvi Estephan
Little monsters, swifties e blinks no futebol? Sim, nós temos algo parecido.
“A fronteira entre o esporte e a cultura pop foi dissolvida”, resume a executiva. “O comportamento do neofanático é idêntico ao de um superfã da Taylor Swift: há uma defesa intransigente da identidade.”
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, também é citada. “O fenômeno em torno dela é puro ‘pop culture’. Ela gera soundbites [cortes de áudio] e memes que transcendem o campo.”
Outro case dos tempos modernos está na Kings League Brasil, com Nyvi Estephan. A influenciadora, ex-apresentadora de programas de TV, fundou e preside o Nyvelados FC. “Quando vemos uma figura como ela na liga, o futebol deixa de ser apenas esporte e vira um evento de entretenimento multiplataforma, que atrai comunidades gamers e geeks.”
Mulheres e futebol: o que as marcas precisam saber
Quase 8 em cada 10 mulheres entrevistadas pela pesquisa (78%) apontam o machismo como barreira no ambiente da modalidade tradicional. Já o futebol feminino surge como espaço de acolhimento e resistência. “Não é apenas sobre visibilidade, mas sobre criar comunidades onde torcer não exija um estado de vigilância constante”, observa Pires.
Colaborações x publicidade tradicional
Em relação à publicidade, o estudo revela uma saturação do modelo de interrupção. A preferência hoje é por colaborações: 55% dos fãs se emocionam mais com conteúdos gerados por outros torcedores do que com superproduções publicitárias tradicionais.
Lições sobre os fãs no Brasil de hoje
A managing director da Monks Brasil — que tem clientes como Netflix, Natura, Magazine Luiza, Google e RD Saúde — listou 3 lições finais que A Era dos Fandoms: Moda Torcida deixa para o marketing e a publicidade.
- Moda, música e gastronomia se encontram no esporte
“Quando a marca foca apenas no jogo, ela perde a conversa real que acontece no lifestyle do fã.”
- É preciso trocar o “logo gigante” pela conexão de nicho
“A intimidade de comunidades específicas converte muito mais do que qualquer mensagem genérica para a massa.”
- Deixe de ser uma intrusa e vire uma facilitadora
“Se a marca não está agregando valor ou potencializando a paixão da comunidade, será sumariamente ignorada. No cenário atual, relevância não se compra com exposição; ela é conquistada com utilidade e verdade.”
Fandoms do futebol: divisão entre esporte e cultura pop foi dissolvida, diz Marina Pires, da Monks
Divulgação

Débora Yuri - UOL para Marcas
Estamos testemunhando o fim da nostalgia romântica do “futebol raiz”. No seu lugar, surgiu um produto cultural mutante, afirma Marina Pires, managing director da Monks Brasil. Se o torcedor antigo vivia o rito da bola rolando, o atual vive o ecossistema: memes, fanfics, debates táticos no YouTube e a estética do esporte no dia a dia.
“Há uma liquidez maior: 47% dos jovens acompanham ligas em que seus times [do coração] sequer jogam. O novo torcedor é menos isolacionista e mais conectado com a creator economy, enxergando os criadores de conteúdo como mediadores da sua paixão”, explica a executiva.
Do estádio para a cultura digital
A agência da S4 Capital acaba de lançar o estudo A Era dos Fandoms: Modo Torcida, que investiga a evolução da cultura torcedora no país. A pesquisa combinou etnografia, análise semiótica, entrevistas com especialistas e uma amostra de mil entrevistados de 18 a 64 anos, de todas as regiões do Brasil.
Nesse laboratório de emoção coletiva, a paixão não depende mais da arquibancada, aponta a Monks: 51% acreditam ser grandes torcedores mesmo sem frequentar estádios.
“O esporte transbordou o campo e as transmissões tradicionais. Hoje, 43% dos torcedores brasileiros sentem que o futebol é mais divertido nas redes sociais do que na TV”, diz Pires.
Recado para os líderes de marca
Para o C-Level, o recado é claro, ela acrescenta: o engajamento deixou de ser um evento estático para se tornar um fluxo cultural contínuo.
“O achado fundamental do estudo é a descentralização definitiva da autoridade narrativa. O torcedor não é mais um receptor de mensagens; ele é um cocriador que interpreta, remixa e expande a marca do clube e de seus patrocinadores em tempo real.”
4 perfis definem os novos torcedores
Com os resultados, a Monks mapeou 4 identidades contemporâneas, que fogem do estereótipo do fanático por futebol.
- Muito além do placar
Torcedores movidos por valores e estética — como o foco em causas sociais ou estilo de vida.
- Torcida íntima
Consumo individualizado, que prioriza profundidade e curadoria (lives e podcasts).
- Bagunça core
O futebol como entretenimento puro, caos criativo e combustível para memes.
- Neofanáticos
O clube do coração é a base da identidade pessoal; eles vivem o time 24/7 como um ecossistema total.
A força do áudio — e do silêncio
Segundo Pires, a força da “torcida íntima” e o papel do áudio foram revelações poderosas. “Existe uma ideia difundida de que o torcedor brasileiro só se manifesta no grito e na aglomeração. Descobrimos que 49% desse perfil de torcida íntima mantêm uma intensidade emocional altíssima, mesmo em silêncio.”
Para esse grupo, o consumo via podcasts e cortes de áudio se tornou um “refúgio seguro” contra a pressão de performance das redes sociais.
Ela ressalta ainda que 64% dos jovens de 18 a 24 anos afirmam ser grandes fãs mesmo sem nunca pisar num estádio. “Isso redefine completamente o que entendemos por experiência do cliente no esporte.”
Taylor Swift, Leila Pereira e Nyvi Estephan
Little monsters, swifties e blinks no futebol? Sim, nós temos algo parecido.
“A fronteira entre o esporte e a cultura pop foi dissolvida”, resume a executiva. “O comportamento do neofanático é idêntico ao de um superfã da Taylor Swift: há uma defesa intransigente da identidade.”
Leila Pereira, presidente do Palmeiras, também é citada. “O fenômeno em torno dela é puro ‘pop culture’. Ela gera soundbites [cortes de áudio] e memes que transcendem o campo.”
Outro case dos tempos modernos está na Kings League Brasil, com Nyvi Estephan. A influenciadora, ex-apresentadora de programas de TV, fundou e preside o Nyvelados FC. “Quando vemos uma figura como ela na liga, o futebol deixa de ser apenas esporte e vira um evento de entretenimento multiplataforma, que atrai comunidades gamers e geeks.”
Mulheres e futebol: o que as marcas precisam saber
Quase 8 em cada 10 mulheres entrevistadas pela pesquisa (78%) apontam o machismo como barreira no ambiente da modalidade tradicional. Já o futebol feminino surge como espaço de acolhimento e resistência. “Não é apenas sobre visibilidade, mas sobre criar comunidades onde torcer não exija um estado de vigilância constante”, observa Pires.
Colaborações x publicidade tradicional
Em relação à publicidade, o estudo revela uma saturação do modelo de interrupção. A preferência hoje é por colaborações: 55% dos fãs se emocionam mais com conteúdos gerados por outros torcedores do que com superproduções publicitárias tradicionais.
Lições sobre os fãs no Brasil de hoje
A managing director da Monks Brasil — que tem clientes como Netflix, Natura, Magazine Luiza, Google e RD Saúde — listou 3 lições finais que A Era dos Fandoms: Moda Torcida deixa para o marketing e a publicidade.
- Moda, música e gastronomia se encontram no esporte
“Quando a marca foca apenas no jogo, ela perde a conversa real que acontece no lifestyle do fã.”
- É preciso trocar o “logo gigante” pela conexão de nicho
“A intimidade de comunidades específicas converte muito mais do que qualquer mensagem genérica para a massa.”
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