Networking|26 fev, 2026|

Fandoms do futebol: divisão entre esporte e cultura pop foi dissolvida, diz Marina Pires, da Monks

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Débora Yuri - UOL para Marcas

Estamos testemunhando o fim da nostalgia romântica do “futebol raiz”. No seu lugar, surgiu um produto cultural mutante, afirma Marina Pires, managing director da Monks Brasil. Se o torcedor antigo vivia o rito da bola rolando, o atual vive o ecossistema: memes, fanfics, debates táticos no YouTube e a estética do esporte no dia a dia. 

“Há uma liquidez maior: 47% dos jovens acompanham ligas em que seus times [do coração] sequer jogam. O novo torcedor é menos isolacionista e mais conectado com a creator economy, enxergando os criadores de conteúdo como mediadores da sua paixão”, explica a executiva. 

Do estádio para a cultura digital  

A agência da S4 Capital acaba de lançar o estudo A Era dos Fandoms: Modo Torcida, que investiga a evolução da cultura torcedora no país. A pesquisa combinou etnografia, análise semiótica, entrevistas com especialistas e uma amostra de mil entrevistados de 18 a 64 anos, de todas as regiões do Brasil.

Nesse laboratório de emoção coletiva, a paixão não depende mais da arquibancada, aponta a Monks: 51% acreditam ser grandes torcedores mesmo sem frequentar estádios.

“O esporte transbordou o campo e as transmissões tradicionais. Hoje, 43% dos torcedores brasileiros sentem que o futebol é mais divertido nas redes sociais do que na TV”, diz Pires. 

Recado para os líderes de marca

Para o C-Level, o recado é claro, ela acrescenta: o engajamento deixou de ser um evento estático para se tornar um fluxo cultural contínuo. 

“O achado fundamental do estudo é a descentralização definitiva da autoridade narrativa. O torcedor não é mais um receptor de mensagens; ele é um cocriador que interpreta, remixa e expande a marca do clube e de seus patrocinadores em tempo real.” 

4 perfis definem os novos torcedores 

Com os resultados, a Monks mapeou 4 identidades contemporâneas, que fogem do estereótipo do fanático por futebol. 

  • Muito além do placar 

Torcedores movidos por valores e estética — como o foco em causas sociais ou estilo de vida.

  • Torcida íntima

Consumo individualizado, que prioriza profundidade e curadoria (lives e podcasts).

  • Bagunça core

O futebol como entretenimento puro, caos criativo e combustível para memes.

  • Neofanáticos

O clube do coração é a base da identidade pessoal; eles vivem o time 24/7 como um ecossistema total.

A força do áudio — e do silêncio  

Segundo Pires, a força da “torcida íntima” e o papel do áudio foram revelações poderosas. “Existe uma ideia difundida de que o torcedor brasileiro só se manifesta no grito e na aglomeração. Descobrimos que 49% desse perfil de torcida íntima mantêm uma intensidade emocional altíssima, mesmo em silêncio.” 

Para esse grupo, o consumo via podcasts e cortes de áudio se tornou um “refúgio seguro” contra a pressão de performance das redes sociais. 

Ela ressalta ainda que 64% dos jovens de 18 a 24 anos afirmam ser grandes fãs mesmo sem nunca pisar num estádio. “Isso redefine completamente o que entendemos por experiência do cliente no esporte.” 

Taylor Swift, Leila Pereira e Nyvi Estephan 

Little monsters, swifties e blinks no futebol? Sim, nós temos algo parecido.

“A fronteira entre o esporte e a cultura pop foi dissolvida”, resume a executiva. “O comportamento do neofanático é idêntico ao de um superfã da Taylor Swift: há uma defesa intransigente da identidade.” 

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, também é citada. “O fenômeno em torno dela é puro ‘pop culture’. Ela gera soundbites [cortes de áudio] e memes que transcendem o campo.”  

Outro case dos tempos modernos está na Kings League Brasil, com Nyvi Estephan. A influenciadora, ex-apresentadora de programas de TV, fundou e preside o Nyvelados FC. “Quando vemos uma figura como ela na liga, o futebol deixa de ser apenas esporte e vira um evento de entretenimento multiplataforma, que atrai comunidades gamers e geeks.” 

Mulheres e futebol: o que as marcas precisam saber   

Quase 8 em cada 10 mulheres entrevistadas pela pesquisa (78%) apontam o machismo como barreira no ambiente da modalidade tradicional. Já o futebol feminino surge como espaço de acolhimento e resistência. “Não é apenas sobre visibilidade, mas sobre criar comunidades onde torcer não exija um estado de vigilância constante”, observa Pires. 

Colaborações x publicidade tradicional 

Em relação à publicidade, o estudo revela uma saturação do modelo de interrupção. A preferência hoje é por colaborações: 55% dos fãs se emocionam mais com conteúdos gerados por outros torcedores do que com superproduções publicitárias tradicionais.

Lições sobre os fãs no Brasil de hoje  

A managing director da Monks Brasil — que tem clientes como Netflix, Natura, Magazine Luiza, Google e RD Saúde — listou 3 lições finais que A Era dos Fandoms: Moda Torcida deixa para o marketing e a publicidade. 

  • Moda, música e gastronomia se encontram no esporte 

“Quando a marca foca apenas no jogo, ela perde a conversa real que acontece no lifestyle do fã.” 

  • É preciso trocar o “logo gigante” pela conexão de nicho 

“A intimidade de comunidades específicas converte muito mais do que qualquer mensagem genérica para a massa.” 

  • Deixe de ser uma intrusa e vire uma facilitadora

“Se a marca não está agregando valor ou potencializando a paixão da comunidade, será sumariamente ignorada. No cenário atual, relevância não se compra com exposição; ela é conquistada com utilidade e verdade.” 

O UOL conecta cada pessoa ao seu universo e cada marca ao seu target

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Fandoms do futebol: divisão entre esporte e cultura pop foi dissolvida, diz Marina Pires, da Monks

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Débora Yuri - UOL para Marcas

Estamos testemunhando o fim da nostalgia romântica do “futebol raiz”. No seu lugar, surgiu um produto cultural mutante, afirma Marina Pires, managing director da Monks Brasil. Se o torcedor antigo vivia o rito da bola rolando, o atual vive o ecossistema: memes, fanfics, debates táticos no YouTube e a estética do esporte no dia a dia. 

“Há uma liquidez maior: 47% dos jovens acompanham ligas em que seus times [do coração] sequer jogam. O novo torcedor é menos isolacionista e mais conectado com a creator economy, enxergando os criadores de conteúdo como mediadores da sua paixão”, explica a executiva. 

Do estádio para a cultura digital  

A agência da S4 Capital acaba de lançar o estudo A Era dos Fandoms: Modo Torcida, que investiga a evolução da cultura torcedora no país. A pesquisa combinou etnografia, análise semiótica, entrevistas com especialistas e uma amostra de mil entrevistados de 18 a 64 anos, de todas as regiões do Brasil.

Nesse laboratório de emoção coletiva, a paixão não depende mais da arquibancada, aponta a Monks: 51% acreditam ser grandes torcedores mesmo sem frequentar estádios.

“O esporte transbordou o campo e as transmissões tradicionais. Hoje, 43% dos torcedores brasileiros sentem que o futebol é mais divertido nas redes sociais do que na TV”, diz Pires. 

Recado para os líderes de marca

Para o C-Level, o recado é claro, ela acrescenta: o engajamento deixou de ser um evento estático para se tornar um fluxo cultural contínuo. 

“O achado fundamental do estudo é a descentralização definitiva da autoridade narrativa. O torcedor não é mais um receptor de mensagens; ele é um cocriador que interpreta, remixa e expande a marca do clube e de seus patrocinadores em tempo real.” 

4 perfis definem os novos torcedores 

Com os resultados, a Monks mapeou 4 identidades contemporâneas, que fogem do estereótipo do fanático por futebol. 

  • Muito além do placar 

Torcedores movidos por valores e estética — como o foco em causas sociais ou estilo de vida.

  • Torcida íntima

Consumo individualizado, que prioriza profundidade e curadoria (lives e podcasts).

  • Bagunça core

O futebol como entretenimento puro, caos criativo e combustível para memes.

  • Neofanáticos

O clube do coração é a base da identidade pessoal; eles vivem o time 24/7 como um ecossistema total.

A força do áudio — e do silêncio  

Segundo Pires, a força da “torcida íntima” e o papel do áudio foram revelações poderosas. “Existe uma ideia difundida de que o torcedor brasileiro só se manifesta no grito e na aglomeração. Descobrimos que 49% desse perfil de torcida íntima mantêm uma intensidade emocional altíssima, mesmo em silêncio.” 

Para esse grupo, o consumo via podcasts e cortes de áudio se tornou um “refúgio seguro” contra a pressão de performance das redes sociais. 

Ela ressalta ainda que 64% dos jovens de 18 a 24 anos afirmam ser grandes fãs mesmo sem nunca pisar num estádio. “Isso redefine completamente o que entendemos por experiência do cliente no esporte.” 

Taylor Swift, Leila Pereira e Nyvi Estephan 

Little monsters, swifties e blinks no futebol? Sim, nós temos algo parecido.

“A fronteira entre o esporte e a cultura pop foi dissolvida”, resume a executiva. “O comportamento do neofanático é idêntico ao de um superfã da Taylor Swift: há uma defesa intransigente da identidade.” 

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, também é citada. “O fenômeno em torno dela é puro ‘pop culture’. Ela gera soundbites [cortes de áudio] e memes que transcendem o campo.”  

Outro case dos tempos modernos está na Kings League Brasil, com Nyvi Estephan. A influenciadora, ex-apresentadora de programas de TV, fundou e preside o Nyvelados FC. “Quando vemos uma figura como ela na liga, o futebol deixa de ser apenas esporte e vira um evento de entretenimento multiplataforma, que atrai comunidades gamers e geeks.” 

Mulheres e futebol: o que as marcas precisam saber   

Quase 8 em cada 10 mulheres entrevistadas pela pesquisa (78%) apontam o machismo como barreira no ambiente da modalidade tradicional. Já o futebol feminino surge como espaço de acolhimento e resistência. “Não é apenas sobre visibilidade, mas sobre criar comunidades onde torcer não exija um estado de vigilância constante”, observa Pires. 

Colaborações x publicidade tradicional 

Em relação à publicidade, o estudo revela uma saturação do modelo de interrupção. A preferência hoje é por colaborações: 55% dos fãs se emocionam mais com conteúdos gerados por outros torcedores do que com superproduções publicitárias tradicionais.

Lições sobre os fãs no Brasil de hoje  

A managing director da Monks Brasil — que tem clientes como Netflix, Natura, Magazine Luiza, Google e RD Saúde — listou 3 lições finais que A Era dos Fandoms: Moda Torcida deixa para o marketing e a publicidade. 

  • Moda, música e gastronomia se encontram no esporte 

“Quando a marca foca apenas no jogo, ela perde a conversa real que acontece no lifestyle do fã.” 

  • É preciso trocar o “logo gigante” pela conexão de nicho 

“A intimidade de comunidades específicas converte muito mais do que qualquer mensagem genérica para a massa.” 

  • Deixe de ser uma intrusa e vire uma facilitadora

“Se a marca não está agregando valor ou potencializando a paixão da comunidade, será sumariamente ignorada. No cenário atual, relevância não se compra com exposição; ela é conquistada com utilidade e verdade.” 

O UOL conecta cada pessoa ao seu universo e cada marca ao seu target

Networking|26 fev, 2026|

Fandoms do futebol: divisão entre esporte e cultura pop foi dissolvida, diz Marina Pires, da Monks

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Débora Yuri - UOL para Marcas

Estamos testemunhando o fim da nostalgia romântica do “futebol raiz”. No seu lugar, surgiu um produto cultural mutante, afirma Marina Pires, managing director da Monks Brasil. Se o torcedor antigo vivia o rito da bola rolando, o atual vive o ecossistema: memes, fanfics, debates táticos no YouTube e a estética do esporte no dia a dia. 

“Há uma liquidez maior: 47% dos jovens acompanham ligas em que seus times [do coração] sequer jogam. O novo torcedor é menos isolacionista e mais conectado com a creator economy, enxergando os criadores de conteúdo como mediadores da sua paixão”, explica a executiva. 

Do estádio para a cultura digital  

A agência da S4 Capital acaba de lançar o estudo A Era dos Fandoms: Modo Torcida, que investiga a evolução da cultura torcedora no país. A pesquisa combinou etnografia, análise semiótica, entrevistas com especialistas e uma amostra de mil entrevistados de 18 a 64 anos, de todas as regiões do Brasil.

Nesse laboratório de emoção coletiva, a paixão não depende mais da arquibancada, aponta a Monks: 51% acreditam ser grandes torcedores mesmo sem frequentar estádios.

“O esporte transbordou o campo e as transmissões tradicionais. Hoje, 43% dos torcedores brasileiros sentem que o futebol é mais divertido nas redes sociais do que na TV”, diz Pires. 

Recado para os líderes de marca

Para o C-Level, o recado é claro, ela acrescenta: o engajamento deixou de ser um evento estático para se tornar um fluxo cultural contínuo. 

“O achado fundamental do estudo é a descentralização definitiva da autoridade narrativa. O torcedor não é mais um receptor de mensagens; ele é um cocriador que interpreta, remixa e expande a marca do clube e de seus patrocinadores em tempo real.” 

4 perfis definem os novos torcedores 

Com os resultados, a Monks mapeou 4 identidades contemporâneas, que fogem do estereótipo do fanático por futebol. 

  • Muito além do placar 

Torcedores movidos por valores e estética — como o foco em causas sociais ou estilo de vida.

  • Torcida íntima

Consumo individualizado, que prioriza profundidade e curadoria (lives e podcasts).

  • Bagunça core

O futebol como entretenimento puro, caos criativo e combustível para memes.

  • Neofanáticos

O clube do coração é a base da identidade pessoal; eles vivem o time 24/7 como um ecossistema total.

A força do áudio — e do silêncio  

Segundo Pires, a força da “torcida íntima” e o papel do áudio foram revelações poderosas. “Existe uma ideia difundida de que o torcedor brasileiro só se manifesta no grito e na aglomeração. Descobrimos que 49% desse perfil de torcida íntima mantêm uma intensidade emocional altíssima, mesmo em silêncio.” 

Para esse grupo, o consumo via podcasts e cortes de áudio se tornou um “refúgio seguro” contra a pressão de performance das redes sociais. 

Ela ressalta ainda que 64% dos jovens de 18 a 24 anos afirmam ser grandes fãs mesmo sem nunca pisar num estádio. “Isso redefine completamente o que entendemos por experiência do cliente no esporte.” 

Taylor Swift, Leila Pereira e Nyvi Estephan 

Little monsters, swifties e blinks no futebol? Sim, nós temos algo parecido.

“A fronteira entre o esporte e a cultura pop foi dissolvida”, resume a executiva. “O comportamento do neofanático é idêntico ao de um superfã da Taylor Swift: há uma defesa intransigente da identidade.” 

Leila Pereira, presidente do Palmeiras, também é citada. “O fenômeno em torno dela é puro ‘pop culture’. Ela gera soundbites [cortes de áudio] e memes que transcendem o campo.”  

Outro case dos tempos modernos está na Kings League Brasil, com Nyvi Estephan. A influenciadora, ex-apresentadora de programas de TV, fundou e preside o Nyvelados FC. “Quando vemos uma figura como ela na liga, o futebol deixa de ser apenas esporte e vira um evento de entretenimento multiplataforma, que atrai comunidades gamers e geeks.” 

Mulheres e futebol: o que as marcas precisam saber   

Quase 8 em cada 10 mulheres entrevistadas pela pesquisa (78%) apontam o machismo como barreira no ambiente da modalidade tradicional. Já o futebol feminino surge como espaço de acolhimento e resistência. “Não é apenas sobre visibilidade, mas sobre criar comunidades onde torcer não exija um estado de vigilância constante”, observa Pires. 

Colaborações x publicidade tradicional 

Em relação à publicidade, o estudo revela uma saturação do modelo de interrupção. A preferência hoje é por colaborações: 55% dos fãs se emocionam mais com conteúdos gerados por outros torcedores do que com superproduções publicitárias tradicionais.

Lições sobre os fãs no Brasil de hoje  

A managing director da Monks Brasil — que tem clientes como Netflix, Natura, Magazine Luiza, Google e RD Saúde — listou 3 lições finais que A Era dos Fandoms: Moda Torcida deixa para o marketing e a publicidade. 

  • Moda, música e gastronomia se encontram no esporte 

“Quando a marca foca apenas no jogo, ela perde a conversa real que acontece no lifestyle do fã.” 

  • É preciso trocar o “logo gigante” pela conexão de nicho 

“A intimidade de comunidades específicas converte muito mais do que qualquer mensagem genérica para a massa.” 

  • Deixe de ser uma intrusa e vire uma facilitadora

“Se a marca não está agregando valor ou potencializando a paixão da comunidade, será sumariamente ignorada. No cenário atual, relevância não se compra com exposição; ela é conquistada com utilidade e verdade.” 

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