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Vívian e Caê, da Mutato: comitê de diversidade sai em defesa da liberdade do mercado

Imagem: Divulgação

Nesta quarta-feira (28), o mercado publicitário ao lado da sociedade civil conquistou uma vitória na Assembleia Legislativa de São Paulo: a derrubada da votação do projeto de lei 504/20 e o seu retorno às comissões,  o que obrigará à rediscussão da pauta. O PL queria proibir a presença de pessoas LGBTQIA+ ou famílias homoafetivas em publicidade “voltada para crianças” com a alegação de evitar “desconforto emocional a inúmeras famílias”, tentativa que foi prontamente rechaçada pelo mercado. Parte da conquista na Alesp se deve à mobilização iniciada em comitês de diversidade de agências.

Em repúdio ao cerceamento da representação homoafetiva na propaganda, players do mercado e entidades do setor vêm se organizando. A campanha #AbaixoPL504, liderada pela Mutato, mobilizou mais de 100 agências e o apoio de marcas. É um esforço que tem sido encampado diretamente por profissionais do seu comitê de diversidade. Isso mostra que a relevância de ambientes de discussão interna sobre questões sociais cria forças de dentro para fora que vão além do negócio, para alcançar interesses do mercado e da sociedade como um todo.

A gente entendeu que esse PL vinha para de fato censurar, como um movimento contrário de todos os avanços que tivemos nos últimos anos na sociedade e no mercado publicitário, um grande retrocesso”, afirma Vívian Maciel, gerente de estratégia da Mutato, uma das vozes do comitê de diversidade da agência.

Ao longo dos anos, a indústria publicitária vem ampliando gradualmente a diversidade de seus quadros, numa tentativa de romper com estereótipos e refletir cada vez mais a população na propaganda. “Não poderíamos ficar em silêncio, começamos a nos articular internamente, criamos um vídeo para começar essa conversa nas redes sociais.”

Nesse vídeo, o próprio comitê se mostrou. “Nosso papel foi trazer nosso ponto de vista, do comitê. A gente acaba sendo ali sendo representantes da Mutato, mas também da população que quer se ver representada. A gente colocou nossos rostos lá”, diz Vívian que foi uma das que protagonizaram a campanha que puxou o movimento.

Paralelamente, as lideranças C-level da agência se articularam com outros players do mercado, ampliando o movimento e a pressão sobre a Alesp. Desde o início da articulação, o PL foi adiado três vezes, até ser derrubado. Para a autora do projeto, a deputada estadual Marta Costa (PSD), propagandas com casais homoafetivos mostram “práticas danosas” às crianças. O PL, no entanto, não especifica que tipo de publicidade é “voltada para crianças” e não explica como seria feita tal proibição.

Segundo Caê Fernandes, gerente de estratégia da Mutato, que acompanhou o comitê desde a sua criação, em 2017, a tramitação do PL já vem sendo acompanhada pelo grupo desde o ano passado. “Vimos isso acontecendo, e sabíamos que se fosse adiante teríamos de fazer alguma coisa. É um retrocesso. A publicidade vem nos últimos anos trabalhando para trazer uma representatividade real da população”, diz ele, apontando que a força tarefa vem para unir agências em defesa da liberdade de representação das diversidades.

O comitê de diversidade da Mutato trabalha no dia a dia em três frentes: LGBTQIA+, gênero e raça. “Tem o papel de trazer discussões relevantes para eles e levantar pontos de melhoria dentro da própria Mutato”, diz ele. Segundo Caê, o trabalho do comitê permite que a diversidade seja discutida para que se torne cada vez mais naturalizada dentro e fora da agência.

“Para nós, já é algo intrínseco em tudo o que fazemos. Além de tentar garantir sempre que as pessoas que criam sejam diversas e estejam ali participando dos processos desde o começo. Toda essa movimentação de diversidade está na nossa veia. E acreditamos que é uma discussão que deve ir além, não ficar apenas nesses momentos em que estoura uma grande movimentação, ou no mês do orgulho. Deve ser o ano todo.”


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