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Ricardo Silvestre, da Black Influence: ‘Estamos atrasados na pauta de diversidade’

Imagem: Divulgação

Embora muitas marcas tenham despertado para a importância de uma comunicação antirracista, o mercado publicitário ainda está atrasado nas pautas de representatividade e diversidade. Essa é a opinião de Ricardo Silvestre, considerado uma das vozes mais relevantes do mercado de influência. O publicitário, que já passou por grandes agências, abriu há pouco mais de um ano sua consultoria especializada em influenciadores negros, para construir pontes entre vozes diversas e as marcas.

Após uma história de 100 anos de publicidade racista, apenas nos últimos cinco anos o mercado começou a falar de representatividade e diversidade. Isso reflete no dia a dia o quanto estamos atrasados nessas pautas”, afirma o publicitário. No cotidiano de seu trabalho, busca abrir caminhos para avançar. Ele conta que sua agência atua de forma coletiva com os clientes, entendendo as necessidades de comunicação, auxiliando no alinhamento dos briefings e mapeando talentos. Além disso, por meio de projetos especiais proativos, prospecta marcas aliadas.

Segundo ele, mesmo marcas abertas à representatividade ainda escorregam no racismo quando convidam pessoas negras unicamente para falar de temas relacionados à negritude. “Um dos nossos desafios é mostrar para o mercado que os influenciadores pretos falam de tudo, de todos os temas, atuam em todas as áreas, em qualquer época do ano. Não só em novembro.”

Um exemplo de influenciadora parceira da Black Influence é Jaqueline Goes, a cientista brasileira que ganhou notoriedade por participar do sequenciamento do genoma do novo coronavírus. “Um dos nossos grandes prazeres é atuar com pessoas que nos inspiram. A influência que a gente trabalha é isso, uma influência representativa, positiva, responsável.”

Tendências para 2021

Para Ricardo, na esteira de grandes mobilizações realizadas em 2020, como Black Lives Matter, o público deve continuar pressionando marcas a se posicionarem como antirracistas este ano. “Vejo uma pressão maior por parte dos consumidores mais ativos nas redes sociais. E eles tendem a não consumir mais marcas que não os representam. A pessoa que não se vê na publicidade e no produto não compra. As marcas percebem essa movimentação e se preocupam com boicotes em massa.”

Dentro do mercado de influência, ele enxerga uma mudança produtiva nos conteúdos, que estão mais aprofundados. E isso deve se intensificar este ano. “O futuro da influência é sobre ser relevante na mensagem e não só na imagem. Consumidores e seguidores têm cobrado conteúdo de qualidade. E eu vejo isso como super tendência.”