Entrevistas|17 jun, 2026|

Alexandre Gimenez, diretor de reportagem: “A grande sacada do UOL é conseguir se adaptar rapidamente”

Por Ruan Soares e Julio Pinheiro - Alunos FIAM FAAM

O UOL surgiu há 30 anos e atravessou diferentes fases da internet brasileira, indo desde os primórdios da web no país até a era do consumo de notícias através de aplicativos de mensagem. A área de notícias é um dos principais pilares do portal. Para Alexandre Gimenez, diretor de Reportagem do UOL que acumula 24 anos de atuação na empresa, o portal só conseguiu se manter relevante por tanto tempo por sua capacidade de se reinventar diante das mudanças do mercado.

“A grande sacada do UOL é conseguir se adaptar rapidamente a todos os movimentos, seja do mercado publicitário ou de navegação do público”. Gimenez afirma perceber que muitos concorrentes tiveram dificuldade nessa flexibilidade, e aponta que esse seja um dos motivos pelos quais o UOL, muitas vezes, “ditou os rumos do jornalismo online como um todo”.

Transformações na produção de conteúdo

Muito sobre como consumimos notícias mudou nas últimas três décadas, com o surgimento de novos meios de comunicação, como as redes sociais, por exemplo. Mas para Gimenez, a essência do jornalismo continua a mesma em qualquer mídia. “O rigor na apuração e na edição são os mesmos, independente da plataforma que você vai distribuir esse conteúdo. A diferença é a edição que você vai dar, mas os princípios básicos do jornalismo de precisão, de apuração e de edição com maior rigor possível são os mesmos”, analisa. “Não é porque seu conteúdo vai ser distribuído no Instagram por um minuto que todo aquele material não precise ter passado por todas as etapas da construção de um produto jornalístico, como se fosse, por exemplo, ser publicado no jornal de domingo, com 20 mil caracteres”, conclui.

No entanto, o surgimento de novas formas de se comunicar fragmentou a audiência em diferentes nichos. Por isso, ressalta a importância de encontrar o público onde ele está: “Temos oito milhões de pessoas inscritas nos nossos grupos de WhatsApp. Dentro desses grupos, existem grandes discussões em relação a, por exemplo, K-Pop e animes. São assuntos que você não tem dentro da homepage, que é uma coisa mais geral”.

Em relação à propagação de fake news em redes sociais e plataformas de mensagens, Gimenez diz que a equipe do UOL “trabalha com ferramentas de monitoramento para tentar descobrir quais são as grandes ondas de desinformação para conseguir atuar antes, e nas plataformas em que essa desinformação está sendo disseminada”.

Contudo, o diretor não possui a convicção de que tecnologias de inteligência artificial irão ajudar os jornalistas a checar fatos de uma maneira eficiente. Para ele, “essas ferramentas hoje precisam ser encaradas como, há 15 anos, encaramos o corretor ortográfico, como uma ferramenta para melhorar o produto final. Como um todo, ela vai agilizar o trabalho do jornalista, mas, no final das contas, o principal valor do jornalismo é a apuração exclusiva que a LLM [large language model] não vai te dar, porque ela só vai falar o que aconteceu daqui para trás, não daqui para frente”.

Legado do UOL e homenagem aos 30 anos

Em 29 de abril, o Senado realizou uma solenidade às três décadas de prestação de serviços do portal, com destaque ao combate à desinformação. Segundo o executivo, a atitude por parte do Poder Legislativo mostra que a imprensa “tradicional” permanece relevante e ajuda a manter uma sociedade saudável capaz de discutir os rumos do país.

“Foi bastante importante o reconhecimento do Senado, e na figura do Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e da deputada Tábata Amaral (PSB-SP), que fizeram essa proposta de uma solenidade. Ali pudemos deixar claro alguns dos nossos valores que são inegociáveis, que é a precisão na produção jornalística, o rigor com que tratamos o nosso produto e a importância da imprensa profissional para a sociedade como um todo”, destaca.

Para o diretor de reportagem do UOL, a marca deixada pelo portal no jornalismo do maior país da América do Sul é a necessidade dos veículos de comunicação atenderem todas as pessoas. “Quando um leitor bolsonarista diz que somos petistas e um leitor petista diz que somos bolsonaristas, fico bastante feliz porque parece que chegamos, na verdade, em um denominador”, observa.

“Tento publicar os fatos da maneira mais precisa e plural possível, e isso passa também pelas vozes que colocamos dentro do portal para analisar os fatos”, observa Gimenez. O diretor de reportagem também acredita que “o pluralismo, a concisão, a objetividade e a precisão do conteúdo” são elementos indispensáveis na forma como o portal UOL trabalha, reforçando assim a sua marca no jornalismo.

Este conteúdo faz parte de uma série especial de entrevistas com lideranças do UOL, realizada em parceria com a FIAM FAAM Indústria Criativa Level UP e criação de conteúdo pelos alunos.

Acompanhe e inspire-se!

Entrevistas|17 jun, 2026|

Alexandre Gimenez, diretor de reportagem: “A grande sacada do UOL é conseguir se adaptar rapidamente”

Por Ruan Soares e Julio Pinheiro - Alunos FIAM FAAM

O UOL surgiu há 30 anos e atravessou diferentes fases da internet brasileira, indo desde os primórdios da web no país até a era do consumo de notícias através de aplicativos de mensagem. A área de notícias é um dos principais pilares do portal. Para Alexandre Gimenez, diretor de Reportagem do UOL que acumula 24 anos de atuação na empresa, o portal só conseguiu se manter relevante por tanto tempo por sua capacidade de se reinventar diante das mudanças do mercado.

“A grande sacada do UOL é conseguir se adaptar rapidamente a todos os movimentos, seja do mercado publicitário ou de navegação do público”. Gimenez afirma perceber que muitos concorrentes tiveram dificuldade nessa flexibilidade, e aponta que esse seja um dos motivos pelos quais o UOL, muitas vezes, “ditou os rumos do jornalismo online como um todo”.

Transformações na produção de conteúdo

Muito sobre como consumimos notícias mudou nas últimas três décadas, com o surgimento de novos meios de comunicação, como as redes sociais, por exemplo. Mas para Gimenez, a essência do jornalismo continua a mesma em qualquer mídia. “O rigor na apuração e na edição são os mesmos, independente da plataforma que você vai distribuir esse conteúdo. A diferença é a edição que você vai dar, mas os princípios básicos do jornalismo de precisão, de apuração e de edição com maior rigor possível são os mesmos”, analisa. “Não é porque seu conteúdo vai ser distribuído no Instagram por um minuto que todo aquele material não precise ter passado por todas as etapas da construção de um produto jornalístico, como se fosse, por exemplo, ser publicado no jornal de domingo, com 20 mil caracteres”, conclui.

No entanto, o surgimento de novas formas de se comunicar fragmentou a audiência em diferentes nichos. Por isso, ressalta a importância de encontrar o público onde ele está: “Temos oito milhões de pessoas inscritas nos nossos grupos de WhatsApp. Dentro desses grupos, existem grandes discussões em relação a, por exemplo, K-Pop e animes. São assuntos que você não tem dentro da homepage, que é uma coisa mais geral”.

Em relação à propagação de fake news em redes sociais e plataformas de mensagens, Gimenez diz que a equipe do UOL “trabalha com ferramentas de monitoramento para tentar descobrir quais são as grandes ondas de desinformação para conseguir atuar antes, e nas plataformas em que essa desinformação está sendo disseminada”.

Contudo, o diretor não possui a convicção de que tecnologias de inteligência artificial irão ajudar os jornalistas a checar fatos de uma maneira eficiente. Para ele, “essas ferramentas hoje precisam ser encaradas como, há 15 anos, encaramos o corretor ortográfico, como uma ferramenta para melhorar o produto final. Como um todo, ela vai agilizar o trabalho do jornalista, mas, no final das contas, o principal valor do jornalismo é a apuração exclusiva que a LLM [large language model] não vai te dar, porque ela só vai falar o que aconteceu daqui para trás, não daqui para frente”.

Legado do UOL e homenagem aos 30 anos

Em 29 de abril, o Senado realizou uma solenidade às três décadas de prestação de serviços do portal, com destaque ao combate à desinformação. Segundo o executivo, a atitude por parte do Poder Legislativo mostra que a imprensa “tradicional” permanece relevante e ajuda a manter uma sociedade saudável capaz de discutir os rumos do país.

“Foi bastante importante o reconhecimento do Senado, e na figura do Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e da deputada Tábata Amaral (PSB-SP), que fizeram essa proposta de uma solenidade. Ali pudemos deixar claro alguns dos nossos valores que são inegociáveis, que é a precisão na produção jornalística, o rigor com que tratamos o nosso produto e a importância da imprensa profissional para a sociedade como um todo”, destaca.

Para o diretor de reportagem do UOL, a marca deixada pelo portal no jornalismo do maior país da América do Sul é a necessidade dos veículos de comunicação atenderem todas as pessoas. “Quando um leitor bolsonarista diz que somos petistas e um leitor petista diz que somos bolsonaristas, fico bastante feliz porque parece que chegamos, na verdade, em um denominador”, observa.

“Tento publicar os fatos da maneira mais precisa e plural possível, e isso passa também pelas vozes que colocamos dentro do portal para analisar os fatos”, observa Gimenez. O diretor de reportagem também acredita que “o pluralismo, a concisão, a objetividade e a precisão do conteúdo” são elementos indispensáveis na forma como o portal UOL trabalha, reforçando assim a sua marca no jornalismo.

Este conteúdo faz parte de uma série especial de entrevistas com lideranças do UOL, realizada em parceria com a FIAM FAAM Indústria Criativa Level UP e criação de conteúdo pelos alunos.

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Alexandre Gimenez, diretor de reportagem: “A grande sacada do UOL é conseguir se adaptar rapidamente”

Por Ruan Soares e Julio Pinheiro - Alunos FIAM FAAM

O UOL surgiu há 30 anos e atravessou diferentes fases da internet brasileira, indo desde os primórdios da web no país até a era do consumo de notícias através de aplicativos de mensagem. A área de notícias é um dos principais pilares do portal. Para Alexandre Gimenez, diretor de Reportagem do UOL que acumula 24 anos de atuação na empresa, o portal só conseguiu se manter relevante por tanto tempo por sua capacidade de se reinventar diante das mudanças do mercado.

“A grande sacada do UOL é conseguir se adaptar rapidamente a todos os movimentos, seja do mercado publicitário ou de navegação do público”. Gimenez afirma perceber que muitos concorrentes tiveram dificuldade nessa flexibilidade, e aponta que esse seja um dos motivos pelos quais o UOL, muitas vezes, “ditou os rumos do jornalismo online como um todo”.

Transformações na produção de conteúdo

Muito sobre como consumimos notícias mudou nas últimas três décadas, com o surgimento de novos meios de comunicação, como as redes sociais, por exemplo. Mas para Gimenez, a essência do jornalismo continua a mesma em qualquer mídia. “O rigor na apuração e na edição são os mesmos, independente da plataforma que você vai distribuir esse conteúdo. A diferença é a edição que você vai dar, mas os princípios básicos do jornalismo de precisão, de apuração e de edição com maior rigor possível são os mesmos”, analisa. “Não é porque seu conteúdo vai ser distribuído no Instagram por um minuto que todo aquele material não precise ter passado por todas as etapas da construção de um produto jornalístico, como se fosse, por exemplo, ser publicado no jornal de domingo, com 20 mil caracteres”, conclui.

No entanto, o surgimento de novas formas de se comunicar fragmentou a audiência em diferentes nichos. Por isso, ressalta a importância de encontrar o público onde ele está: “Temos oito milhões de pessoas inscritas nos nossos grupos de WhatsApp. Dentro desses grupos, existem grandes discussões em relação a, por exemplo, K-Pop e animes. São assuntos que você não tem dentro da homepage, que é uma coisa mais geral”.

Em relação à propagação de fake news em redes sociais e plataformas de mensagens, Gimenez diz que a equipe do UOL “trabalha com ferramentas de monitoramento para tentar descobrir quais são as grandes ondas de desinformação para conseguir atuar antes, e nas plataformas em que essa desinformação está sendo disseminada”.

Contudo, o diretor não possui a convicção de que tecnologias de inteligência artificial irão ajudar os jornalistas a checar fatos de uma maneira eficiente. Para ele, “essas ferramentas hoje precisam ser encaradas como, há 15 anos, encaramos o corretor ortográfico, como uma ferramenta para melhorar o produto final. Como um todo, ela vai agilizar o trabalho do jornalista, mas, no final das contas, o principal valor do jornalismo é a apuração exclusiva que a LLM [large language model] não vai te dar, porque ela só vai falar o que aconteceu daqui para trás, não daqui para frente”.

Legado do UOL e homenagem aos 30 anos

Em 29 de abril, o Senado realizou uma solenidade às três décadas de prestação de serviços do portal, com destaque ao combate à desinformação. Segundo o executivo, a atitude por parte do Poder Legislativo mostra que a imprensa “tradicional” permanece relevante e ajuda a manter uma sociedade saudável capaz de discutir os rumos do país.

“Foi bastante importante o reconhecimento do Senado, e na figura do Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e da deputada Tábata Amaral (PSB-SP), que fizeram essa proposta de uma solenidade. Ali pudemos deixar claro alguns dos nossos valores que são inegociáveis, que é a precisão na produção jornalística, o rigor com que tratamos o nosso produto e a importância da imprensa profissional para a sociedade como um todo”, destaca.

Para o diretor de reportagem do UOL, a marca deixada pelo portal no jornalismo do maior país da América do Sul é a necessidade dos veículos de comunicação atenderem todas as pessoas. “Quando um leitor bolsonarista diz que somos petistas e um leitor petista diz que somos bolsonaristas, fico bastante feliz porque parece que chegamos, na verdade, em um denominador”, observa.

“Tento publicar os fatos da maneira mais precisa e plural possível, e isso passa também pelas vozes que colocamos dentro do portal para analisar os fatos”, observa Gimenez. O diretor de reportagem também acredita que “o pluralismo, a concisão, a objetividade e a precisão do conteúdo” são elementos indispensáveis na forma como o portal UOL trabalha, reforçando assim a sua marca no jornalismo.

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