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5 previsões para o mercado publicitário que Amy Webb liberou aos órfãos do SXSW 

Imagem: Reprodução

Talvez um dos primeiros grandes choques que o mercado publicitário sofreu com a pandemia de coronavírus tenha sido o anúncio do cancelamento do South by Southwest (SXSW), o maior festival de inovação do mundo. O evento aconteceria de 13 a 22 de março, em Austin (EUA). E a previsão era uma presença maciça de brasileiros.

Uma das estrelas mais esperadas do evento era a futurista Amy Webb, do Future Today Institute. Na edição do ano passado, por exemplo, foi ela quem decretou a morte da privacidade, e disse uma das frases mais repercutidas de SXSW2019: “A privacidade morreu, mas isso não é necessariamente ruim”.

Para não deixar seu público totalmente na falta, este ano, ela liberou gratuitamente o seu 13º relatório anual de tendências, o “Tech Trends Report 2020”, no qual lista 365 insights.

O blog UOL AD_LAB filtrou cinco tendências que interessam diretamente as marcas:

1. Realidade aumentada em áudio

Não vai demorar para que a audição se integre às experiências de realidade aumentada, segundo prevê Amy Webb. A realidade aumentada em áudio (ou AAR, na sigla em inglês) já deve mostrar seus primeiros passos este ano. As funções dessa tecnologia que, segundo ela, devem se unir aos óculos inteligentes, devem começar como instruções, notificações, descrições verbais do que se está vendo através dos óculos inteligentes.

“Os óculos conectados ao ecossistema AAR oferecem novas e importantes oportunidades de negócios — e podem ser disruptivos para tradicionais líderes de mercado nos segmentos de armações, lentes, aparelhos auditivos e fones de ouvido”, prevê.

2. Todos nós já recebemos pontuações

Isso é muito “Black Mirror”. Com o perdão da piada clichê, para Amy Webb, todas as pessoas, apenas por estarem vivas, já lançam dados e recebem pontuações que alimentam sistemas automatizados. Desde as postagens nas redes sociais, até a biologia única (postura, estruturas ósseas e capilares, tom vocal e cadência), a dívida do cartão de crédito e os hábitos de viagem, milhares de dados são analisados para nos pontuar.

“Os sistemas automatizados usam nossas pontuações para tomar decisões por nós ou sobre nós, seja sobre o preço a ser mostrado no comércio eletrônico ou se podemos representar um risco de segurança em um jogo de futebol”, diz no relatório. Por isso, a expectativa, segundo o relatório, é que, no próximo ano, os reguladores tenham um interesse mais profundo nessa pontuação.

3. Os Jetsons são uma realidade

Nas residências e nos ambientes de trabalho, a automação está perto de se tornar mainstream. Assistentes digitais, sistemas de segurança doméstica e microondas controlados por voz, munidos de inteligência artificial, já são fabricados em escala, com preços acessíveis às massas.

“Os robôs costumavam ser objetos de ficção científica, mas este ano os principais fabricantes de aparelhos, de componentes e, claro, as grandes empresas de tecnologia apresentarão motivos convincentes para que nossas casas e escritórios sejam equipados com sensores, câmeras e microfones”, prevê o relatório.

4. Casas emitem dados inexplorados

Nossas casas começam a produzir dados que ainda não são usados nem processados ativamente pelos dispositivos. As informações nessa rede incluem coisas como a temperatura do corpo enquanto você assiste à TV, o ruído ambiente que sua casa faz à noite e a comunicação que os dispositivos emitem.

De acordo com o relatório de tendências, nessas informações moram oportunidades infinitas que ainda não foram olhadas com atenção. “As emissões digitais não são prejudiciais ao meio ambiente, mas são um recurso inexplorado a ser extraído e analisado — com transparência e permissões, é claro.”

5. É o fim do esquecimento

Depois de uma década postando fotos, vídeos e mensagens de texto nas mídias sociais, está claro que a história recente de cada perfil digital perdurará no futuro. Não é possível excluir ou apagar definitivamente o passado de ninguém na internet. Nem com pedido judicial.

Peça central das leis europeias de proteção de dados, o “direito de ser esquecido” surgiu para forçar os mecanismos de pesquisa a excluir links com informações pessoais, caso não seja de interesse público. Mas, em 2019, o Tribunal de Justiça Europeu decidiu a favor do Google, tornando muito mais difícil a qualquer pessoa solicitar a remoção de informações na internet.


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