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5 ações que marcas podem fazer agora contra a gordofobia

Imagem: MindMiners/Reprodução

Embora o discurso de representatividade e inclusão venha cada vez mais ganhando espaço na sociedade e na propaganda, o tema da gordofobia ainda é muito pouco debatido. Os consumidores, no entanto, esperam mais das marcas nessa questão. É o que constatou a pesquisa “Gordofobia”, da MindMiners, que buscou compreender como o público entende o preconceito contra os corpos gordos, como é disseminado e afeta as pessoas.

Segundo o levantamento, 71% dos respondentes acham que empresas de todos os setores deveriam repensar padrões de corpos em seus anúncios; 75% acham inspirador quando veem pessoas gordas participando de novelas, filmes, comerciais; 76% acham que empresas, especialmente de moda e beleza, deveriam ser mais atentas à diversidade; e 75% acham que empresas deveriam ter produtos e serviços adaptados às pessoas gordas sem cobrar a mais por isso.

O estudo ouviu 1.000 pessoas de todos os gêneros, idades, classes sociais e regiões do Brasil. E buscou ainda mapear, entre elas, quantas se declaram com corpos gordos, levando em consideração dados oferecidos sobre suas formas físicas e identificação com imagens. Com isso, chegou a um recorte de 19% da amostragem de pessoas consideradas gordas.

Em webinar sobre a pesquisa, Danielle Almeida, CMO da MindMiners, conversou com Gabriela Lessa, jornalista, blogueira do “Gorda é a mãe”, para discutir o tema e pensar como marcas podem rever seus conceitos e combater a gordofobia. A pesquisa apontou que entre os que são considerados gordos, 51% foram alvo de gordofobia na vida pessoal e 35% sofreram preconceito na vida profissional por conta de seus corpos.

“Muito importante diferenciar a gordofobia da pressão estética. A gordofobia só a pessoa realmente gorda sofre, que é todo mundo pressupor que você deve emagrecer, que é preguiçosa, menos capaz, menos esforçada. É você não passar na catraca do ônibus, não caber na cadeira do avião, não conseguir comprar roupa do shopping. Quem sofre gordofobia sofre exclusão da sociedade. É julgada pelo corpo. E tem o seu acesso limitado a lugares, trabalho, e atendimento médico por preconceito”, afirma Gabriela.

Veja cinco ações que marcas podem executar agora contra a gordofobia:

1. Dar acessibilidade

Segundo Danielle, da MindMiners, as marcas não devem pensar somente em termos de campanha, mas também nas relações cotidianas. “Você já parou para pensar no seu ponto de venda? No espaço de circulação que você tem na loja? Se as portas estão preparadas para receber corpos gordos? Como estão os corredores? Provadores? Num escritório, sala de espera, restaurante, suas cadeiras estão adaptadas?”, questiona a executiva. “Num primeiro momento, por falta de consciência, muitos não pensam. Mas isso é gravíssimo e faz com que pessoas gordas se afastem da sua marca e da sua loja.”

2. Aumentar a representatividade

Segundo Gabriela, do blog “Gorda é a Mãe”, representatividade para pessoas gordas na publicidade é um casting diverso em qualquer situação. “É se ver representado o tempo todo. Não só na propaganda da linha plus size, ou de pizza e hambúrguer. É uma coisa muito básica. Você não precisa ser uma marca plus size para atender pessoas gordas. Bolsa, todo mundo usa. Sapato, joia, todos usam. Por que as pessoas na campanha de bolsa são todas magras? Essa representatividade pode e deve estar em todos os ramos”, afirma.

3. Repensar rótulos

Quando marcas atendem pessoas gordas, é muito comum que deem nomes e espaços separados dos demais produtos, com rótulos que acabam tendo o efeito de segregação. “Por que para atender pessoas gordas marcas precisam criar nomes aos produtos que remetem ao tamanho do corpo? Por que não há linhas que abracem diversidades de corpos?”, questiona Gabriela, convidando marcas a repensar o modo de apresentar seus produtos.

4. Valorizar o corpo gordo

Gabriela critica o fato de que a publicidade reforça a pressão estética quando prioriza corpos magros associados à beleza, ao desejo e à valorização. “É necessário focar não apenas na pressão estética, mas mostrar que pessoas gordas podem ser atraentes, chiques, sexies. Pessoas gordas podem representar o que é bonito e de bom gosto”, afirma Gabriela.

5. Empregar pessoas gordas

Segundo Danielle, para combater a gordofobia, marcas e empresas precisam fazer a lição de casa. “Comece de dentro para fora. Empregue pessoas gordas. Ajude a quebrar o mito de que a vendedora gorda empobrece a sua marca. De que adianta comunicar diversidade se, quando as pessoas entram na sua loja, você reforça os padrões estéticos?”


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Apuração e redação: Renata Gama / Edição e redes sociais: Raphaella Francisco / Arte: Pedro Crastechini
Gerente responsável: Marina Assis/ Gerente Geral: Karen Cunsolo